ÁUDIO: O EXECUTIVO
Há um diálogo confortável circulando nos conselhos e comitês executivos: “o cenário está imprevisível”.
Ele soa sofisticado, moderno e, sobretudo, exime a liderança de responsabilidade analítica.
Mas os fatos contam outra história.
O mercado não está caótico. Ele está coerente.
O problema é que muitos executivos continuam olhando para os indicadores errados — e, quando olham para os certos, não sabem o que fazer com eles.
Não os culpo inteiramente. Afinal, nosso momento histórico chama as pessoas para terem as mesmas conversas e as mesmas opiniões sobre os mesmos assuntos.
Assim, falar sobre inflação, taxa de juros, CDI, déficit fiscal e outras platitudes que vemos em mídias populares nos permite participar da conversa.
Mas, o bom executivo reflete sozinho após ouvir seu time de conselheiros – formais ou não.
E pensar sozinho não está na moda.
CAMINHÕES NÃO MENTEM
Poucos indicadores são tão honestos quanto a venda de caminhões pesados nos Estados Unidos. Eles não carregam narrativa – o nome social da mentira, nem ideologia ou wishful thinking. Carregam mercadorias.
Quando a venda de caminhões pesados cai de forma consistente, a mensagem é simples:
👉 a economia real está desacelerando antes que o discurso oficial admita.
Historicamente, esse indicador antecede contrações econômicas. Não aponta se haverá recessão, mas quando ela começará a ser sentida de forma generalizada.
Eu compreendo que o executivo de um indústria não se interesse por indicadores da saúde de bancos internacionais – mas, ignorar que caminhões estão sendo menos substituídos no mercado e não questionar o motivo é negligência com um dado estratégico.
Dependendo da métrica, os Estados Unidos representa cerca de 25% da economia mundial. Portanto, se algo acontecer de ruim em seus mercados, não apenas o Brasil, mas todos os países sentirão seus efeitos negativos.
Portanto, a pergunta não é mais “haverá recessão?”.
A pergunta correta é: quem estará posicionado para atravessá-la melhor?
O ERRO DA LIDERANÇA: CONTINUAR JOGANDO O JOGO ERRADO
Em fases de contração, muitos executivos cometem o mesmo erro clássico:
continuam operando com a lógica de expansão.
Investem onde o capital era abundante, defendem produtos que dependem de consumo impulsivo e insistem em metas lineares em um ambiente que deixou de ser linear.
Nos últimos anos se acostumaram em falar de vendas exponenciais, mas a realidade é que elas são cíclicas e, por vezes, assíntotas.
Recessões não exigem apenas mais esforço.
Exigem redirecionamento de atenção.
E atenção, hoje, é o recurso mais mal alocado da alta liderança.
Por isso que me preocupo quanto ao tempo exagerado dado a temas vindos de organismos como ONU e Fórum Econômico Mundial, aceitos sem questionamentos ou adaptação à nossa cultura por parte de RHs, e que desperdiçam grande parte da atenção e reflexão do executivo, sem gerar um centavo na última linha.
PARA ONDE OLHAR QUANDO O CICLO VIRA
Contrações não afetam todos os mercados da mesma forma. Alguns setores sofrem violentamente; outros são favorecidos.
Tradicionalmente, ciclos de retração deslocam valor para:
· serviços essenciais e não adiáveis
· manutenção, eficiência e redução de custos
· substituição em vez de expansão
· proteção patrimonial e liquidez
· infraestrutura crítica e otimização logística
Especificamente neste ciclo vemos setores favorecidos como:
· Commodities metálicas e agrícolas
· Metais preciosos – ouro e prata principalmente
· Terras agriculturáveis
· Indústria de armas
· Energia
O executivo que entende isso não entra em pânico.
Ele reposiciona capital, pessoas e foco.
O que separa liderança de gestão burocrática é saber o que parar de fazer antes que o mercado force essa decisão.
Entendo que em uma sala de reunião, definir que neste ano devemos crescer 10% é uma retórica perfeitamente aceitável. Afinal, nenhum de nós aceitaria perder renda – ainda mais considerando a inflação persistente – por que deveríamos convidar investidores a diminuir a deles?
Mas, quando a fase econômica é de contração, mais importante do que definir metas de resultado é definir quais serão as metas de performance.
Assim como em um set decisivo de vôlei o time tem de conquistar 15 pontos com 2 de diferença para o adversário, não adianta pensar neste número enquanto se joga.
O jogador tem de pensar em pular o mais alto possível para atacar. O defensor em esticar ao máximo seus braços para bloquear, ou seja, cada um precisa saber o que fazer e não ficar pensando em números.
O mesmo ocorre na empresa. Se você sabe que no período de contração as mineradoras ou os bancos estarão favorecidos, seu time deve pensar no que e como vender para eles e para todo o ecossistema ao seu redor. Isto é, quais fornecedores e clientes de bancos e mineradoras estão favorecidos e o que seu produto ou serviço tem para oferecer a eles.
Isso exige estudo, compreensão, ajuste de oferta e muitos contatos feitos de maneira regular e constante com os decisores desses mercados.
Sua atenção deve estar neste foco.
CARREIRAS EXECUTIVAS TAMBÉM SÃO CÍCLICAS
Aqui está o ponto que muitos preferem ignorar:
em ciclos de contração, nem toda carreira sobrevive intacta.
Executivos associados apenas à expansão, ao crescimento fácil ou à abundância de recursos tendem a perder espaço. Ganham relevância aqueles que sabem operar com escassez, priorização e decisões impopulares.
Recessões não revelam talento.
Elas separam talento de circunstância favorável.
Infelizmente os estilos de liderança adequados para momentos de crise são o coercivo e o marca-passo. O primeiro porque a empresa precisa de decisões e resultados rápidos – que virão principalmente de corte de custos – e o segundo, porque conseguir novas receitas é um processo de garimpagem, monótono, árduo e que exige muita energia e esforço constante mesmo diante da falta de resultados iniciais.
E é evidente que isso tudo gera desconforto. Mas, até mesmo para que as pessoas possam ter para onde voltar quando a crise acabar, preservar a empresa é o mais importante, por mais desgastante que seja essa tarefa.
Lembro-me que no plano Collor, em 1990, tivemos de demitir 400 pessoas da empresa em que trabalhava – de um total de 600. Foram ações desesperadas para salvar o negócio, mas anos depois, a mesma empresa estava com mais de 2.000 funcionários – foi horrível fazer tudo aquilo, principalmente para quem era jovem como eu, mas as decisões amargas nos amadurecem mais do que aquelas nas quais não há nossa renda ou de outras pessoas em jogo.
UMA LEITURA MAIS PROFUNDA
A virtude central exigida neste momento é a prudência prática: a capacidade de ler corretamente a realidade e agir conforme ela, não conforme desejos.
Imprudente não é quem se prepara para a contração.
Imprudente é quem insiste em negar seus sinais.
E os sinais estão à vista. Só não estão nos slides mais confortáveis.
Quando falo sobre esse assunto para certos executivos eles acham que o mundo vai acabar.
Não é essa minha intenção, mas recomendo que este tema fique somente entre aqueles que têm maturidade para lidar com ele e que sabem que, de fato, toda crise tem um lado de oportunidade, que nem sempre é agradável de descobrir porque exige mudança de mentalidade para aproveitá-lo.
MESMO EM DIA DE CHUVA, VAMOS EM FRENTE!
O mercado não está imprevisível.
Ele está apenas deixando claro que o ciclo mudou.
Executivos que continuarem olhando para indicadores atrasados, defendendo estratégias de ontem e esperando que o próximo trimestre resolva tudo, serão surpreendidos — não pelo mercado, mas pela própria negligência.
A pergunta correta para esta semana não é:
“O que o mercado vai fazer?”
É outra, bem mais exigente:
“Diante do que já está visível, para onde eu deveria estar olhando — e o que ainda não tive coragem de ajustar?”
Quando a noite das desculpas está se encerrando, as primeiras luzes da realidade se fazem ver. E mesmo um dia nublado, chuvoso ou de tempestade, é um dia para se viver e trabalhar.
Aqui, o mérito não está em prever o futuro.
Está em não fingir que os sinais não existem.
Conte comigo para isso, pegue seu guarda-chuva e vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching
Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes
silvio.celestino@alliancecoaching.com.br
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Um grande abraço e vamos em frente!
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