ÁUDIO: O EXECUTIVO
O primeiro dia útil do ano para os mercados acionários aparentemente não disse muito do que esperar para 2026. IBOVESPA com leve baixa, S&P com leve alta.
Já a notícia que a BYD superou a Tesla como maior vendedora de carros elétricos no mundo me fez pensar naquela frase: “não está fácil para ninguém”.
Se alguém ainda espera que 2026 seja um ano “mais fácil”, convém ajustar as expectativas — ou o currículo.
Os últimos sinais de 2025 – quando algum grande banco internacional precisou de US$ 75 bilhões do FED para fechar a conta dia 31 de dezembro – e os primeiros (sinais) de 2026 são claros: o tempo da indulgência acabou.
Acabou para empresas, para carreiras e, sobretudo, para lideranças que sobreviveram mais por contexto do que por mérito.
Este não é um ciclo de euforia. É um ciclo de acerto de contas.
ECONOMIA: QUEM NÃO SABE LER BALANÇO NÃO DEVERIA LIDERAR
O crescimento existe, mas é pequeno, seletivo e implacável com erros – as primeiras previsões para o Brasil são de apenas 1,6% de crescimento.
Juros ainda elevados – e perversos – ao menos cumprem sua função pedagógica: expor projetos frágeis, executivos pouco preparados e estratégias baseadas em esperança — uma substituta sofrível da razão.
Novamente lembro de bancos internacionais com prejuízos ainda não realizados, mas que estão ali, a vista de todos, como um acidente esperando acontecer.
Em 2026, não há espaço para improviso com ares de inovação.
Grandes empresas estão concentrando poder nas matrizes e isso é um indicador de que o período demanda mais controle.
Gestão de caixa, eficiência operacional e retorno real voltam a ser critérios morais da boa administração.
Sim, morais. Porque desperdiçar recursos nunca foi virtude.
MERCADO DE TRABALHO: O CONFORTO FOI DEMITIDO
O mercado não está sem vagas. Está sem paciência.
O que se observa é o fim silencioso de um período artificialmente confortável: excesso de benefícios, tolerância com baixa entrega e narrativas infladas de importância pessoal que mal disfarçam sensibilidades que mais parecem esquizofrenias com nomes diferentes.
O trabalho remoto não acabou, mas a fantasia de baixa cobrança, sim.
A pergunta que muitos evitam, mas que o mercado já faz, é simples:
👉 Você resolve problemas relevantes ou apenas participa de reuniões e repete idéias já ditas por outros, inclusive na mesma reunião?
CARREIRAS: O RETORNO DA REALIDADE
Carreiras executivas entram novamente em território maduro.
Menos “propósito” de PowerPoint.
Mais resultado mensurável.
E olha que sou um defensor inegociável do executivo ter em mente um propósito para cada evento que participar. Mas, com os números atuais da economia e principalmente do Sistema Financeiro Internacional, resultado tem de ser o propósito mais em foco no momento.
Reputação volta a ser construída em décadas e destruída em decisões mal explicadas. Em 2026, o mercado não quer líderes inspiradores — quer líderes confiáveis.
Não me entenda mal, não creio que sejam características excludentes, mas quando você se comprometer com um número, esteja certo de que irá entregá-lo. Quando as expectativas de crescimento estão nos décimos, a cobrança por precisão aumenta.
E confiança nasce de três características conservadoras, quase esquecidas:
- Competência
- Discernimento
- Responsabilidade
Nada disso viraliza. Mas tudo isso sustenta.
INVESTIMENTOS: QUEM NÃO PENSA EM PROTEÇÃO NÃO ENTENDE RISCO
Isso tudo porque o executivo tem o privilégio de trabalhar com o dinheiro dos outros.
E esses outros estão nervosos.
O investidor imaturo pergunta quanto pode ganhar.
O investidor experiente pergunta o que não pode perder.
IA continua no jogo, mas já não perdoa amadores – e há muitas questões não respondidas sobre esses investimentos circulares entre big techs.
Diversificação deixa de ser “opção sofisticada” e volta a ser o que sempre foi: autodefesa racional. A classe de ativos reais – ouro, prata, terras agriculturáveis, demais commodities metálicas e agrícolas – retornam porque a realidade insiste em se impor, apesar das narrativas – que é o nome social para mentiras.
2026 será cruel com quem confunde otimismo com inteligência.
Embora todo empreendedor seja essencialmente um otimista, o momento exige a competência e atenção de um piloto de boeing. Há muitos relógios a acompanhar, números a compreender e alavancas para acionar no momento certo: da decolagem, do vôo e, principalmente, do pouso com segurança.
PRUDÊNCIA É O ESCUDO DA MATURIDADE
Do ponto de vista de um executivo com mais experiência – e recomendo que sua empresa tenha ao menos um executivo maduro – este tempo pede prudência.
E prudência não é covardia nem paralisia — é a virtude dos que sabem decidir sob pressão sem trair a verdade.
São Tomás de Aquino lembrava que a prudência governa a ação reta.
Em 2026, ela governa também quem permanece no jogo.
Talvez por isso este seja um ano desconfortável: ele expõe quem lidera sem substância.
CONCLUSÃO (SEM CONSENTIMENTO)
2026 não premiará os mais carismáticos, nem os mais barulhentos, nem os mais bem posicionados politicamente.
Premiará os mais preparados.
A pergunta correta não é:
“Como sobreviver a 2026?”
É outra, bem mais desconfortável:
“Se este for um ano do mais forte, você está com sua musculatura executiva desenvolvida?”
Responder honestamente a isso pode incomodar
Mas ignorar custará muito mais.
A tendência é de grandes oportunidades – se é que me entende – e, assim como na fórmula 1, ganhará quem chegar um milésimo na frente do segundo colocado.
Mas, para conseguir esse milésimo, custa muito trabalho, esforço e competência.
Conte comigo para isso e vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching
Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes
silvio.celestino@alliancecoaching.com.br
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Um grande abraço e vamos em frente!
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