ÁUDIO: O EXECUTIVO
Escrevo este artigo no sábado que antecede a final da Copa do Mundo de 2026 entre Brasil e França… digo, entre Argentina e Espanha.
Como faço todos os fins de semana, olho para trás antes de olhar para frente. Procuro identificar quais acontecimentos da semana deixaram de ser apenas notícias e passaram a ser sinais. Afinal, o executivo que apenas acompanha manchetes está sempre atrasado. O que faz diferença é perceber os movimentos que elas anunciam.
Nesta semana, alguns desses sinais chamaram particularmente minha atenção.
📉 QUANDO O MERCADO COMEÇA A ENVIAR RECADOS
A queda de aproximadamente 25% das ações da IBM foi, para mim, um dos acontecimentos mais simbólicos da semana.
Há meses venho comentando o que me parecia uma dinâmica pouco saudável: grandes empresas investindo bilhões em Inteligência Artificial, muitas vezes comprando infraestrutura umas das outras, gerando um ciclo que inflava expectativas e receitas simultaneamente.
Eu imaginava que esse modelo produziria distorções em algum momento. O que não esperava era que elas aparecessem tão rapidamente e de maneira tão intensa a ponto de afetarem uma empresa do porte da Big Blue.
Quando um gigante sofre uma correção dessa magnitude, não é apenas uma empresa que está sendo reavaliada. O mercado começa a revisar premissas inteiras sobre um setor.
Ao mesmo tempo, outro sinal importante surgiu do outro lado do mundo.
📊 O ESTRESSE FINANCEIRO COMEÇA A SE ESPALHAR
A bolsa sul-coreana sofreu fortes quedas ao longo da semana, levando ao acionamento repetido do circuit breaker. Para muitos investidores locais, a situação tornou-se dramática: cerca de um milhão deles receberam chamadas de margem (margin calls), sendo obrigados a aportar recursos adicionais ou liquidar posições.
O ambiente tornou-se tão emocionalmente carregado que um conhecido analista econômico acabou sendo esfaqueado por um investidor que atribuiu a ele prejuízos decorrentes de recomendações feitas em seu canal no YouTube.
Mercados estressados sempre produzem comportamentos irracionais. E isso costuma ser um sinal de que a fase de complacência está ficando para trás.
🌍 A GEOPOLÍTICA CONTINUA MUDANDO AS REGRAS DO JOGO
Na esfera internacional, Estados Unidos e Israel ampliaram sua ofensiva militar contra o Irã, enquanto Teerã respondeu expandindo seus ataques na região. Também surgiram relatos envolvendo militares americanos atingidos em bases na Jordânia.
Independentemente da evolução imediata desse conflito, um fato permanece: o risco geopolítico voltou a ocupar posição central na economia mundial.
E, para o executivo, geopolítica nunca é apenas política. Ela afeta cadeias produtivas, energia, inflação, investimentos, logística, juros e confiança.
🏛️ UMA NOVA DOUTRINA AMERICANA
Outro acontecimento importante foi o discurso do secretário de Estado Marco Rubio.
Na minha visão, histórico.
Pela primeira vez, um integrante do alto escalão do governo americano apresentou de forma explícita que compreende a guerra cultural empreendida pelos comunistas a nível internacional. Os movimentos revolucionários, grupos terroristas e organizações de extrema esquerda fazem parte de uma estratégia mais ampla conduzida pelos membros do comunismo internacional. Estas conexões trouxeram novamente uma situação semelhante a vivida pelos países nas décadas de 1960 e 1970, com grupos como o Baader-Meinhof – na Alemanha, Brigadas Vermelhas – na Itália e Montoneros – na Argentina.
O discurso sinaliza uma mudança altamente relevante na forma como Washington pretende conduzir sua política externa e sua política de segurança.
Portanto, como executivos, devemos estar atentos ao compliance e a um escrutínio permanente de nossos fornecedores e se possuem conexões com grupos como o Comando Vermelho e o PCC, pois isso poderá trazer sérios problemas para fornecermos aos Estados Unidos.
Na mesma direção, o governo americano divulgou documentos relacionados às eleições venezuelanas e apresentou provas no próprio site da Casa Branca sobre interferências estrangeiras em processos eleitorais americanos, incluindo provas do envolvimento do Partido Comunista Chinês – recomendo fortemente que você acesse diretamente o site e leia o relatório e as conclusões da CIA.
Independentemente da posição política de cada leitor, o fato relevante para o executivo é outro: a maior economia do planeta passou a estruturar sua atuação internacional com base nessa nova leitura estratégica. E isso tende a influenciar decisões comerciais, financeiras e diplomáticas pelos próximos anos.
🧭 O QUE FAZER DIANTE DISSO?
Diante de um ambiente tão carregado de informações, existe uma tentação muito comum: correr para conclusões precipitadas.
É exatamente isso que o executivo deve evitar.
Lembro-me de uma reunião em que explicava o cenário econômico a um diretor. Ele ouviu atentamente toda a apresentação. Bastou sair da sala para procurar o presidente e afirmar que “o mundo estava acabando”.
Essa definitivamente não é a postura esperada de quem ocupa uma posição de liderança.
O papel do executivo não é amplificar o medo, mas reduzir a incerteza.
📈 MODELOS AJUDAM. EXPERIÊNCIA DECIDE.
Desconfie dos analistas que afirmam saber exatamente o que acontecerá.
Boas análises procuram explicar como chegamos ao momento atual. Já previsões absolutas normalmente revelam excesso de confiança.
A meteorologia talvez seja a melhor analogia.
Os modelos climáticos evoluíram enormemente nas últimas décadas. Ainda assim, o clima continua surpreendendo supostos especialistas diariamente.
Certa vez ouvi um meteorologista maduro dizer que seus professores descreviam a profissão como a fascinante tentativa de conectar milhares de variáveis, produzir uma previsão extremamente sofisticada… e ainda assim errar.
Os modelos são indispensáveis. Mas experiência continua sendo um ativo insubstituível.
Não me entenda mal: utilize seus modelos estatísticos, suas projeções financeiras e seus cenários probabilísticos. Eles são excelentes ferramentas de apoio.
Só não cometa o erro de desprezar quem já atravessou diversas crises econômicas, mudanças tecnológicas e transformações de mercado.
A famosa frase, aliás muito usada por coaches executivos — “o que trouxe você até aqui não o levará até lá” — contém uma verdade importante. Mas também possui um risco.
Se ela for interpretada como autorização para abandonar toda a experiência acumulada, acabaremos jogando fora a criança junto com a água do banho.
⚠️ O SEGUNDO SEMESTRE EXIGE PRUDÊNCIA
Meu objetivo não é prever o futuro.
Procuro identificar quais são as condições presentes da realidade e discutir o que elas podem significar para executivos, investidores e empresários.
Essas condições pioraram ao longo desta semana.
Somadas à nova doutrina econômica americana apresentada recentemente por Scott Bessent — na qual a política econômica passa a ser utilizada explicitamente como instrumento de interesse nacional e fortalecimento das famílias americanas — o cenário aponta para um segundo semestre significativamente mais desafiador para a economia mundial.
No Brasil, soma-se a isso a crescente incerteza política que antecede a definição do próximo presidente da República.
É natural, portanto, esperar um ambiente de menor crescimento, maior seletividade dos investimentos e aumento da volatilidade.
Alguns setores poderão continuar relativamente protegidos — como fornecedores governamentais, petróleo, gás, manutenção industrial e parte das commodities agrícolas e metálicas —, mas o cenário geral inspira precaução.
🎯 O EXECUTIVO LÊ SINAIS, NÃO MANCHETES
Enquanto muitos ainda aproveitam as férias de julho, os acontecimentos desta semana talvez tenham alterado menos o curto prazo do que o horizonte dos próximos anos.
Curiosamente, vivemos um momento em que compreender o longo prazo parece mais fácil do que prever os próximos meses.
Essa inversão exige disciplina e maior eficiência operacional pois as vendas deverão ocorrer em um ritmo mais lento.
Isso exige também mais persistência na busca de oportunidades e muito cuidado para preservar aquelas que você já conquistou.
Foi uma semana cujas consequências continuarão sendo sentidas por muito tempo.
Os sinais estão diante de todos.
A diferença é que alguns apenas os observam, enquanto o executivo de classe internacional procura compreendê-los.
É essa compreensão que separa quem apenas reage aos acontecimentos daqueles que conseguem atravessar as grandes mudanças preservando sua carreira, seus negócios e investimentos.
Conte comigo para isso e vamos em frente!
P.S. O relatório completo da CIA, sobre a integridade das eleições está no link:
https://www.whitehouse.gov/election-integrity/
Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching
Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes
silvio.celestino@alliancecoaching.com.br
P.S.1. Se você é diretor ou gerente e gostaria de aumentar sua musculatura executiva para ser cada vez mais um executivo de classe internacional, entre em contato conosco. Nossos programas de coaching executivo, mentoria, palestras e seminários de liderança contribuirão muito com você e os resultados da empresa. Ligue para nós!
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Um grande abraço e vamos em frente!
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