VOCÊ VIU O QUE ACABOU DE MUDAR O FUTURO DE SUA CARREIRA?

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VOCÊ VIU O QUE ACABOU DE MUDAR O FUTURO DE SUA CARREIRA?

ÁUDIO: O EXECUTIVO

É possível um executivo fracassar sem ter cometido nenhum erro.

Entre os diversos pontos que tornam isso possível, está o seu desconhecimento a respeito de decisões que impactam mortalmente seu negócio e carreira, e que não foram reportadas com a ênfase adequada por suas fontes de informação.

Por este motivo, você precisa ter a atenção, a paciência e o tempo para refletir sobre fatos que, por vezes, chegam a você de maneira inadequada, mas que podem impactar decisivamente seu futuro.

Nesta semana, aqui em São Paulo, não apenas as férias de julho nos convidam a pensar em nosso merecido descanso e a diminuir o estresse do primeiro semestre, mas também o feriado do dia 9 reforçou este convite.

Enquanto muitos se preparavam para o início deste descanso, ao norte de nosso continente, e na véspera dos 250 anos da Declaração da Independência dos Estados Unidos, o Secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, subia ao palco do Economic Club of New York para anunciar, sem rodeios, que as regras do jogo econômico global mudaram — e que quem não perceber isso a tempo pagará caro.

Este é um daqueles momentos que você precisa reavaliar se sua estratégia foi desenhada olhando somente para o painel ou também para a estrada e, por que não dizer, para as nuvens que se formaram no horizonte.

ENXERGAR LONGE É O PRIMEIRO DEVER DO ESTRATEGISTA

🔭 O executivo de classe internacional tem uma obrigação extremamente relevante: enxergar o mais longe possível. Estratégia nasce da leitura correta da realidade. E a realidade, hoje, não é escrita apenas pelos bancos centrais. É escrita pela geopolítica.

A melhor forma de ampliar esse horizonte é observar as idéias que direcionam os países capazes de exercer poder sobre os demais. Quando a maior economia do mundo declara publicamente sua doutrina, ela não está apenas falando com seus cidadãos. Está avisando fornecedores, clientes, parceiros e rivais — inclusive você.

🔑 Portanto: quem lê apenas os indicadores domésticos dirige olhando para o retrovisor. Quem lê a geopolítica dirige olhando a estrada.

A BÚSSOLA DE BESSENT

Em 23 de junho, Bessent apresentou o que chamou de “arte de governar por meios econômicos”: o uso disciplinado do poder econômico americano a serviço da soberania do país. E organizou essa doutrina em cinco princípios que todo executivo brasileiro deveria conhecer e memorizar:

🏭 1. Segurança econômica começa pela capacidade nacional. A nação que não produz o que necessita não é segura; a que depende de adversários para insumos críticos não é soberana; a que reduz sua economia ao consumo não é próspera. Semicondutores, inteligência artificial, computação quântica, minerais críticos e fármacos deixaram de ser “setores” — são fontes de poder nacional.

🤝 2. Abertura mediante reciprocidade. O acesso ao mercado americano deixou de ser incondicional. Quem quiser vender lá terá de abrir seu próprio mercado e tratar as empresas americanas com a mesma justiça que espera receber.

📜 3. A América escreverá as regras da próxima economia. A competição do século XXI não será decidida em portos e navios, mas em plataformas, protocolos e padrões — de ativos digitais a inteligência artificial. Quem não ajuda a escrever as regras, obedece às regras dos outros.

💵 4. Liderança financeira é instrumento de poder. O dólar confere aos EUA custos de captação menores, mercados mais profundos e a capacidade de sancionar quem cruzar seus interesses. E eles pretendem usar esse poder “com discernimento — mas com firmeza”.

👨‍👩‍👧‍👦 5. Tudo isso deve servir às famílias. O objetivo declarado é conectar o poder nacional à prosperidade doméstica: famílias que não sejam meras consumidoras do que o mundo produz, mas participantes do que o país constrói.

🔑 Portanto: os EUA fundiram, oficialmente, segurança econômica e segurança nacional. Cada decisão de comércio, investimento e tecnologia passará por esse filtro. E isso alcança diretamente as empresas brasileiras.

O QUE ISSO MUDA NA SUA EMPRESA

Você pode achar que esse discurso é problema de Washington. Não é. Ele redesenha o tabuleiro em que sua empresa joga:

⚙️ Cadeias de suprimentos: a pergunta americana deixou de ser “onde está o menor custo?” e passou a ser “essa cadeia sobrevive a uma crise, a uma guerra, a uma sanção?”. Empresas brasileiras que oferecerem resiliência, rastreabilidade e previsibilidade ganharão espaço no movimento de diversificação para fora das concentrações perigosas.

🧲 Minerais críticos e energia: o Brasil possui nióbio, terras raras, lítio e uma matriz energética invejável. Isso nos coloca no mapa das prioridades estratégicas americanas — para quem souber negociar com inteligência.

📊 Padrões e tecnologia: se os EUA escreverão as regras de ativos digitais, pagamentos e IA, as empresas brasileiras que se anteciparem a esses padrões — em compliance, segurança e governança de dados — terão passaporte para o maior mercado do mundo. As que ignorarem ficarão do lado de fora.

🏦 Sistema financeiro: operar em dólar significa operar sob as regras do Tesouro americano. Sanções, controles e exigências de transparência não são mais tecnicalidades jurídicas — são fatores estratégicos de qualquer operação internacional.

ESSAS PREOCUPAÇÕES DEVERIAM SER AS NOSSAS

Ao ler esses princípios fiz o seguinte exercício, troque os Estados Unidos por Brasil ao declará-los.

Por que apenas os americanos se guiariam por esses princípios?

Eles me parecem de grande bom senso para qualquer nação digna.

Há décadas, o debate econômico brasileiro se restringe ao velho tripé macroeconômico — metas de inflação, metas fiscais e câmbio flutuante. O tripé é necessário, mas ele é o painel de instrumentos, não o destino da viagem. Nenhum país se tornou potência apenas mantendo a inflação na meta.

A taxa de juros imposta às empresas brasileiras com a desculpa de que é para manter a inflação baixa – tem favorecido aos rentistas e destruído as empresas. O Brasil, em junho de 2026, está com a maior taxa de juros reais do mundo, (9,67%), acima inclusive da Rússia, (9,31%) um país em guerra – Turquia em terceiro com 5,57%!

Como as famílias brasileiras se beneficiarão dessa situação com empregos destruídos?

Imagine se os governantes do Brasil se perguntassem, com a mesma seriedade: quais insumos críticos não podemos deixar de produzir? Quais cadeias nos deixam vulneráveis a chantagens externas? Em quais indústrias do futuro — IA, semicondutores, biotecnologia, minerais estratégicos — devemos construir capacidade nacional?

As famílias brasileiras seriam as maiores beneficiadas: empregos de alta qualificação, salários maiores, menor vulnerabilidade a choques externos e um país que participa do que o mundo constrói — em vez de apenas consumir o que o mundo produz e exportar o que a terra dá.

🔑 Portanto: segurança econômica não é luxo de superpotência. É dever de casa de qualquer nação que leve a sério o bem-estar de longo prazo de suas famílias.

O ELEFANTE NO TABULEIRO

⚖️ Quando olhamos para nossa balança comercial temos um enorme problema a resolver: nossa corrente de comércio pende fortemente para a China — maior parceiro comercial do Brasil e destino de cerca de um terço de nossas exportações. Acontece que a China é, precisamente, a rival estratégica que o discurso de Bessent tem como alvo.

O Brasil está, portanto, sentado entre as duas maiores potências do planeta, vendendo soja, minério e petróleo para uma e buscando tecnologia, capital e mercados na outra. Essa posição pode ser uma armadilha — ou uma vantagem extraordinária, se administrada com lucidez, pragmatismo e visão de longo prazo.

Nós brasileiros, devemos parar de imaginar que nossas opções são: estarmos próximos dos EUA ou da China, ou de qualquer outro país e pensarmos em nossos próprios interesses.

Enquanto não adquirimos essa maturidade, para o executivo, a implicação é direta: mapeie sua exposição. Quanto da sua receita, da sua cadeia de fornecedores e da sua tecnologia depende de cada um desses países? Em um mundo que se divide em blocos, essa resposta deve fazer parte de seu critério de avaliação dos relatórios de mercado.

A VANTAGEM DE QUEM ENXERGA LONGE

🚀 Existem muitos outros pontos que devemos levar em conta sobre esse discurso de Bessent: o declínio da hegemonia do dólar, as ações americanas e, principalmente cubanas, russas e chinesas em solo brasileiro, as entidades e ONGs americanas que fazem com o Brasil exatamente o que seu discurso repudia – como fomentar florestas no Brasil e fazendas nos EUA para prejudicar nossos agricultores – e a própria doutrina de paz pela força – sem dúvida um retrocesso de proporções bíblicas ao substituir o direito pelo poder do dano.

Mas, o executivo deve olhar para o que é possível fazer pelos meios de ação à sua disposição.

Momentos de reorganização do poder mundial são raros. Acontecem uma ou duas vezes por século. E são exatamente nesses momentos que fortunas, empresas e carreiras extraordinárias são construídas — por aqueles que enxergaram a mudança antes dos demais.

O executivo que se debruçar sobre essas questões, acompanhar de perto os movimentos da geopolítica e traduzi-los em decisões concretas — de portfólio, de fornecedores, de mercados, de tecnologia — tomará decisões com muito maiores chances de sucesso para sua empresa e sua carreira. Enquanto a maioria discute o próximo Copom, você estará posicionado para a próxima década.

É essa a musculatura executiva que diferencia o profissional comum do executivo de classe internacional: a capacidade de ler o mundo como ele é — e agir antes que ele se torne óbvio para todos.

Conte comigo para isso e vamos em frente.

P.S. O Discurso completo de Bessent está traduzido no link abaixo:

Discurso de Scott Bessent

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

P.S.1. Se você é diretor ou gerente e gostaria de aumentar sua musculatura executiva para ser cada vez mais um executivo de classe internacional, entre em contato conosco. Nossos programas de coaching executivo, mentoria, palestras e seminários de liderança contribuirão muito com você e os resultados da empresa. Ligue para nós!

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Um grande abraço e vamos em frente!

Para conhecer nossas fontes e estar atualizado:

BIBLIOGRAFIA PARA O EXECUTIVO DE CLASSE INTERNACIONAL