Home office, escritório híbrido ou tradicional?

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Home office, escritório híbrido ou tradicional?

Texto publicado originalmente no LinkedIn.

Uma dor de cabeça frequente que todo executivo sofre é a cobrança pela solução de um problema em um intervalo de tempo tão curto que não o permite estruturá-lo.

Sem essa visão da estrutura da questão é difícil chegar à melhor solução e para piorar nossa situação de executivos, seremos cobrados se ela não funcionar.

A escolha pelo home office, escritório híbrido ou tradicional é um desses problemas.

Se o abordarmos somente a partir de um ponto de vista, podemos chegar a soluções erradas, com todas as incertezas possíveis.

Mesmo se tentarmos acomodar todas as perspectivas, muito rapidamente veremos que são conflitantes e, portanto, não há como obter um consenso.

Recomendo que você olhe o problema sob uma perspectiva rotatória antes de decidir.

O PONTO DE VISTA DO EMPREGADO

Sob o ponto de vista do empregado, liberdade para poder escolher é o melhor dos mundos.

Mas, esta opção somente está disponível àqueles que não trabalham em funções que exijam a presença física: como operadores de máquinas, logística, funcionários de limpeza, copa, segurança etc.

O desejo é maior naqueles que não possuem uma boa estrutura para home office e, portanto, voltar ao escritório é um alívio. Afinal, poderão livrar-se de uma internet ruim, do barulho de reformas e das interrupções domésticas indesejáveis.

Também é a melhor opção para aqueles que não aguentam mais trabalhar sozinhos, é claro.

Existem, porém, aqueles que terão dificuldades para o retorno.

Imagine o casal que reveza o cuidado com os filhos pequenos durante o dia enquanto um deles faz uma reunião importante.

Se um tiver de voltar ao escritório, aquele que ficar em casa estará sobrecarregado. Principalmente se as escolas não estiverem a pleno funcionamento para receberem as crianças, ou se os pais ainda não desejam expô-las.

O profissional que está enfrentando um problema psicológico em função da pandemia também não quer retornar e será beneficiado se puder optar – a propósito, o RH deve alertar aos gestores para observarem estas pessoas e oferecer algum auxílio.

Portanto, para o funcionário nestas condições, poder escolher é algo positivo.

O PONTO DE VISTA DO GERENTE

“Ninguém tinha me avisado que ser promovido a C-level me transformaria em um operador de telemarketing”.

A afirmação acima foi feita por um cliente meu de mentoria e resume bem o problema que os gestores estão enfrentando ao trabalharem 100% do tempo em home office.

Alguns executivos estão extenuados de tantas reuniões concatenadas e sem tempo até mesmo para ir ao banheiro ao longo do dia.

Também já ouvi a seguinte queixa: “quando estou em home office, situações que levariam 5 minutos para serem resolvidas no escritório, demoram 30 minutos somente para colocar todos online”.

Portanto, para os executivos a gestão se tornaria mais rápida se todos voltassem para a empresa.

Além disso, as pessoas não são máquinas que operam ininterrupta e sequencialmente. Há todo tipo de conversas que fazem parte do quotidiano e que são fundamentais para os líderes.

Afinal, é ao sabor de um café que temos feedbacks ao vermos o semblante das pessoas, conversamos sobre amenidades e sabermos de informações de bastidores.

O PONTO DE VISTA DA EMPRESA

Se presencialmente já é difícil evitarmos feudos dentro da companhia, o trabalho remoto trouxe a empresa para a idade média: há feudos para todos os lados.

Pior, além de não ver as consequências de suas ações nos demais departamentos, alguns profissionais passaram a focar exclusivamente suas tarefas sem se preocuparem com outros de seu próprio departamento.

É um problema sério para a cultura empresarial.

Este fato me faz recordar Marissa Meyer, então presidente da Yahoo, que decidiu, em 2013, após uma experiência de home office para os funcionários, trazer todos de volta para o escritório. (1)

Havia todo tipo de problema. Mas, em síntese, ocorreu uma fratura na cultura da empresa com todos trabalhando remotamente.

SEGURANÇA! SEGURANÇA! SEGURANÇA!

Embora a taxa de mortes entre os que nasceram seja de 100%, o fato é que as pessoas têm muito medo de morrer das complicações causadas pela gripe.

Portanto, deixemos a ironia somente para o texto: o assunto tem de ser endereçado com muita seriedade.

O trabalho mais pragmático e eficaz que vi sobre como definir o ambiente de trabalho para lidar com o vírus foi de Chris Martenson – médico e investidor americano (3).

Uma das características da gestão americana é buscar por métodos que possam ser replicados, e este é um deles.

OS QUATRO “Ds” DOS AMBIENTES SEGUROS CONTRA O COVID

Em cada sala de trabalho devemos observar se os 4 “Ds” estão apropriados:

1º – Densidade de pessoas na sala: quantos funcionários vão trabalhar juntos?

2º – Duração: por quanto tempo as pessoas ficarão juntas?

3º – Dimensões do ambiente em largura, comprimento e altura

4º – Deslocamento do ar é suficiente para manter o ambiente arejado?

Em suma, as dimensões da sala devem possibilitar que a densidade de pessoas seja baixa, em um ambiente arejado. A duração seja inferior a 6 horas e o fluxo de ar assegure que ele esteja sempre circulando.

O propósito é reduzir a concentração de vírus no ar.

Maiores detalhes, no vídeo abaixo:

UMA ÚLTIMA SEGURANÇA: JURÍDICA

Os leitores que, assim como eu, já passaram dos 50, sabem que, no Brasil, até o passado é incerto.

Sei que muitos empresários e executivos têm as melhores intenções ao exigir, de maneira velada ou aberta, que seus funcionários se vacinem.

Entretanto, lembro-me do que aconteceu à uma organização, da qual sou conselheiro, em 2018.

Nós fomos processados por um evento ocorrido em 1.999. Felizmente, graças à preservação de documentos, pudemos provar que estávamos em ordem com a lei.

Mas, e no caso das vacinas?

As farmacêuticas, por conta de contrato, estão livres de processos pelos efeitos colaterais de seus produtos.

Por isso mesmo que estou com um alerta ligado de que, ao forçar um funcionário a tomar a vacina, a empresa cria um potencial passivo jurídico.

Minha recomendação é que o convencimento ainda é a melhor via. Mas, o respeito ao direito constitucional das pessoas de não se submeterem a tratamento médico é um limite que pode preservar muitas dores de cabeça futuras.

Segurança jurídica também é motivo de paz de espírito nas decisões.

A mesma paz que todos nós estamos precisando para sair deste momento singular, mas que, como tudo na vida, passará.

Conte comigo no que puder contribuir com você e sua empresa.

Vamos em frente!

Silvio Celestino

Sócio-diretor da Alliance Coaching

alliancecoaching.com.br

 

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

WhatsApp (11) 98259-8536

(1)  https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2013/02/por-que-marissa-mayer-extingiu-o-home-office-do-yahoo.html

(2)  https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55660075

(3)  https://www.peakprosperity.com/