COMO SER PROMOVIDO?

By in
COMO SER PROMOVIDO?

Poucos assuntos no meio empresarial são tão romantizados quanto a promoção na carreira.

Os profissionais até que não se saem tão mal enquanto estão no período técnico operacional de suas vidas. Nele, vão da posição de estagiário para júnior, pleno e sênior dentro de uma lógica compreensível e que funciona mais ou menos em proporção aos seus esforços.

Mas, quando chegam aos cargos executivos é como se atingissem uma espécie de twilight zone. Uma névoa cai sobre seu horizonte e aquilo que parecia claro assume uma forma desconexa com seus esforços, conhecimentos e persistência.

As entregas, resultados e feedbacks parecem não fazer o menor sentido na hora da empresa escolher quem será o próximo gerente. A diretoria, então, parece um nimbo tão desejável quanto misterioso.

Alguns desistem no caminho, outros desdenham, mas é certo que esta incompreensão mina o ânimo inclusive dos profissionais mais talentosos.

O fato é que a promoção, no mundo executivo, requer uma visão da duríssima realidade empresarial. Não é uma visão muito bonita, mas é preferível você enxergar a realidade a viver no mundo de Alice.

O PROBLEMA NÃO É TÉCNICO

Se você pretende se manter na carreira técnica e não tem ambições de liderança, então saiba que o problema que enfrentará não é o de disputar promoções. Mas, o fato de que um técnico de 40 anos pode ser caro demais para a empresa. Então, procure pelos departamentos de desenvolvimento e por companhias que possuem interesse em técnicos cada vez mais experientes em áreas específicas.

Lembro de uma vez que uma repórter da Rede Globo me perguntou onde poderia encontrar profissionais técnicos com mais de 60 anos que ainda eram valorizados dentro das empresas. Para espanto dela, disse que deveria buscar na área de Tecnologia de Informação. Mais especificamente por programadores na linguagem COBOL (1).

De fato, ela encontrou um programador com 69 anos e que estava muito bem empregado e sem perspectiva de se aposentar.

Já para você que pretende subir a montanha corporativa, saiba que o caminho até o cume é árduo, mas é preferível você enxergar os perigos e as agruras, a imaginar uma linha reta e suave até o cume.

VOCÊ, O OUTRO E O CONTEXTO

Em primeiro lugar é importante você saber qual é a parte que lhe cabe.

Em uma frase: entregue o que lhe é pedido!

Fico surpreso com a idéia daqueles que acreditam que o mundo empresarial é semelhante ao do funcionalismo público, onde o que conta são os anos de serviço.

Seu tempo de casa não tem valor se você não entrega o trabalho na qualidade, no custo e no prazo requeridos por seu chefe.

Portanto, por mais que esteja demorando a promoção, jamais deixe a peteca cair. Pois, sem uma entrega de excelência, você está fora do jogo.

O OUTRO

Não adianta muito entregar o que lhe é pedido se não é visto por aqueles que estão dois níveis acima de você.

Lembre-se que são diretores que promovem pessoas à gerência. Portanto, atender ao seu gerente é parte do problema, a segunda parte é você preencher bem os relatórios que estão sob sua responsabilidade, pois são as fontes primárias pelas quais os diretores o enxergam.

Já vi profissionais serem demitidos porque faziam muito bem seu trabalho, mas não preenchiam os relatórios dos projetos e, de repente, a empresa foi atingida por uma crise. Quando os diretores foram analisar a quem demitir, começaram por aqueles que os relatórios mostravam que não pareciam trabalhar muito.

Mas, só relatórios, também não bastam.

Você tem de ter um relacionamento informal com os níveis de cima. Ou seja, conversar com os diretores, pois não é você que tem de conhecê-los, são eles que têm de saber quem você é e o que faz que é relevante para eles.

Seus competidores diretos também são “o outro”. Se você entrega, mas seus competidores entregam mais, são melhores preparados e mais resilientes, você está em desvantagem. Procure imitá-los e suplantá-los.

Atenção, a competição dentro da empresa é feita por meio de cooperação. Não é para ser desleal com ninguém, você tem de superá-los pelo intelecto e trabalho.

O CONTEXTO

Você entregou tudo que precisa, o seu diretor gosta de você e faz promessas de que o promoverá.

Mas… quando?

Quem manda, em primeiro lugar, é o contexto.

Assim como mencionei em meu artigo sobre a mudança de emprego (2), você tem de saber em qual momento do ciclo econômico estamos.

Uso para isso as vendas de caminhões pesados nos Estados Unidos:

Fonte: https://fred.stlouisfed.org/series/HTRUCKSSAAR

Ou seja, estamos às vésperas de uma grande crise financeira.

Portanto, mesmo que seu chefe tenha prometido sua promoção para o final deste ano, esteja preparado para ela não ocorrer caso a crise comece antes disso.

Este é um dos temas que causa mais revolta porque o profissional entende que já entregou o que precisava para ser promovido e que a empresa já ganhou em cima de seu trabalho.

Bem, todo mundo quer participar dos lucros, mas ninguém quer dividir o prejuízo. E tanto o lucro quanto prejuízo são apurados em um momento específico, o passado não entra na conta e infelizmente, quando a crise acontece, quem manda é o caixa, não o passado.

Isto nos leva às regras imutáveis da promoção.

AS REGRAS DE OURO DA PROMOÇÃO

As duas principais regras sobre promoção que você precisa conhecer são:

#1 – A vida é injusta

#2 – Aprenda rápido a regra número 1

Sei que algumas pessoas são fãs da meritocracia – eu, inclusive – mas, o fato é que estamos vivendo o pouco que sobrou do livre mercado após o advento dos bancos centrais em 1913 – leia meu artigo sobre o perigo das moedas digitais (3).

Em um mercado livre, inclusive de trabalho, a empresa tem o direito de promover quem ela quiser. Embora não recomende que uma organização seja totalmente arbitrária neste tema, é fato que quando se coloca um racionalismo numérico na questão o resultado é bem pior – é só você observar o funcionalismo público onde temos um índice muito maior de afastamentos por doenças provocadas pelo estresse e onde a promoção, em muitos casos, é feita por tempo de serviço e concursos (4).

Não quero desanimá-lo, por favor, não me entenda mal, mas você precisa olhar para o mundo como ele é e saber que ele existe muito antes de você. Portanto, antes de chegar à perigosa conclusão de que o mundo é injusto e que precisa de uma revolução, procure entender a história que o trouxe até aqui e porque as coisas são como são.

As empresas podem ser familiares e, portanto, se você não faz parte da família, provavelmente não chegará aos cargos mais elevados.

Os cargos de liderança atraem pessoas de má índole devido ao salário que pagam (5). Portanto, para se protegerem – desde que sejam pessoas boas, é claro – os executivos em cargos mais elevados vão trazer para trabalhar com eles aqueles que conhecem de longa data – provavelmente porque já trabalharam ou estudaram juntos.

Portanto, faça parte de um time. Se você acha que na empresa existem panelas, acertou! O problema está para quem está fora delas.

Novamente, não me entenda mal, não estou pedindo para você entrar em uma gangue para roubar a empresa – como, aliás, também acontece – mas, para perceber que há times dentro da corporação que disputam o poder e você precisa saber ao menos quais são e se você se identifica com um deles.

Além disso, não se esqueça que as pessoas também se relacionam fora da empresa. Existem igrejas, trabalhos voluntários, academias, esportes, clubes, escolas, mas, também sociedades secretas e, é claro, relacionamentos íntimos – nem todos moralmente desejáveis.

São fatos da vida.

Todos estes fatores determinam as promoções.

FAÇA MARKETING DE SEU TRABALHO

Fico estarrecido quando vejo profissionais que imaginam a existência de uma justiça pairando sobre suas cabeças e que irá iluminar seus trabalhos que, portanto, serão magicamente percebidos por aqueles que estão dois níveis acima.

Isto não acontecerá!

Você precisa assinar, deixar sua marca em cada trabalho e, acima de tudo, ter uma boa imagem e aprender a se comunicar muito bem em reuniões, eventos e apresentações nas quais estão presentes os diretores.

A VIDA EXECUTIVA VALE A PENA

Ao olhar todo este cenário parece que não vale a pena ser promovido a executivo, não é mesmo? Pois é exatamente o que seus competidores querem que você pense. Pois, no longo prazo vence aquele que for mais persistente – portanto, seja muito forte.

Entretanto, pelo contrário, a vida executiva é muito interessante e incentivo a você, que é bom, jogar o jogo e ganhá-lo.

Tenho profundo respeito pelas lideranças religiosas, políticas e militares. Entretanto, é a liderança executiva que constrói o mundo como o conhecemos.

Do celular, ou computador, que você está usando para ler este artigo, à roupa que está vestindo, saiba que, por trás deles, há um executivo que deu um duro danado para fazê-los chegar até você.

É uma vida que pode proporcionar luxos, é verdade, mas aqueles que souberem vivê-la com dignidade e não se deixarem levar nem pelas injustiças, nem pela vaidade, terão um legado de muito trabalho, desafios vencidos e valor para deixar a seus filhos.

O mesmo exemplo que espero que você possa proporcionar aos seus.

Conte comigo no que puder contribuir com isso.

Vamos em frente!

 Silvio Celestino

Sócio-diretor da Alliance Coaching

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

Notas:

(1)   COBOL – https://bit.ly/39Wvgua

(2)   https://www.linkedin.com/pulse/hora-de-mudar-emprego-e-agora-silvio-celestino/

(3)   https://www.linkedin.com/pulse/os-riscos-de-tirania-da-moeda-digital-silvio-celestino/

(4)   Exemplo de estudo a respeito feita no Distrito Federal: https://www.rbmt.org.br/details/368/pt-BR/absenteismo-doenca-entre-servidores-publicos-do-setor-saude-do-distrito-federal

(5)   https://www.linkedin.com/pulse/como-sobreviver-ao-chefe-mau-silvio-celestino/

#leaders #Leadershipdevelopment #mentoria #coaching