PERDER NÃO É O PIOR QUE PODE ACONTECER

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PERDER NÃO É O PIOR QUE PODE ACONTECER

“A obstinação não deve ser confundida com determinação. A obstinação é uma falha de caráter, enquanto a determinação é uma virtude do intelecto.”

O quotidiano tem sido rico em temas que podem ser utilizados como exemplos claros do que fazer e não fazer no mundo executivo.

O recrudescimento das questões políticas e geopolíticas motivado por decisões de seus protagonistas mostram efeitos que, embora previsíveis, são rigorosos quando de fato se materializam. Principalmente quando observamos um certo despreparo dos atores em questão.

Neste momento, em que observamos as consequências de um juiz da suprema corte brasileira censurar cidadãos em solo americano e chamar em um despacho o presidente da nação mais poderosa do mundo de inimigo, devemos nos recordar que a derrota não é o pior que pode acontecer a alguém, mas os resultados de lutar até o fim uma guerra evidentemente perdida.

Para um executivo, sempre destacamos a relevância do propósito elevado, isto é, aquele alicerçado na justiça, na moralidade e na verdade. É a partir dele que uma organização cumprirá suas responsabilidades com os clientes, acionistas e demais stakeholders de maneira duradoura.

Entretanto, quer seja na gestão de um país ou de uma empresa, quando os alicerces estão fissurados, a estrutura inteira está em risco e, embora capaz de apresentar resultados de curto prazo, são insustentáveis.

Em recente pesquisa na Forbes um ponto crucial foi que 58% dos executivos se preocupavam com a falta de ética da geração Z. Entretanto, não me parece que nossos juízes sejam dessa geração e, portanto, a questão é mais profunda do que a pesquisa mostra.

Um ponto fundamental a examinar é por que a moralidade está tão em baixa em nossa cultura?

Se quisermos ter melhores indivíduos em posições tão relevantes quanto a de um juíz e isso servir de exemplo para novas gerações, precisamos retornar o quanto antes para o rigor da moralidade na formação dos indivíduos.

E essa moralidade inclui reconhecer quando alguém tomou uma decisão errada, fora dos limites ou simplesmente perversa.

Quando a sociedade ou a própria pessoa não tem essa consciência e não refaz sua decisão, seguramente estará comprometendo seu futuro – nesta vida ou na próxima.

Geert Hofstede – especialista em cultura – usava em suas análises das dimensões culturais nacionais o índice de distância do poder – (Power Distance Index) – que basicamente mede o grau em que membros menos poderosos de uma sociedade ou organização aceitam e esperam que o poder seja distribuído de forma desigual. Em culturas com alta distância de poder, há uma aceitação natural de hierarquias rígidas, com desigualdades explícitas entre líderes e subordinados.

Em culturas com baixa distância de poder, espera-se maior igualdade, com hierarquias menos rígidas e maior participação nas decisões.

Em grau exagerado, este índice faz com que a sociedade considere natural direitos inexistentes serem exercidos por quem está nas posições de cima da hierarquia. Por exemplo, achar normal a corrupção de agentes públicos.

E isto causa tabus, isto é, temas que a sociedade resiste em apontar e discutir.

No caso do Brasil, é evidente que a existência de escritórios de advocacia com sócios cônjuges de juízes é um escândalo de imoralidade explícita inaceitável.

Mas, ninguém quer falar sobre isso. E o resultado é empresas que pagam fortunas a esses escritórios para terem suas causas ganhas.

É evidente que, quando essa situação local prejudica organizações e investidores em um país como os Estados Unidos, um dia a conta chega.

E este dia chega quando alguém como Trump assume o poder.

Neste momento em que já temos um juiz sancionado pela lei Magnitsky e uma dezena de autoridades, seus parentes e colegas de trabalho com o visto americano cancelado, observamos reações que são bons cases a serem analisados sob o ponto de vista da liderança executiva.

O PERIGO DE DESCONHECER LEIS

O que mais chama a atenção é o total desconhecimento de autoridades brasileiras a respeito desta lei. A primeira vez que ouvi falar sobre ela foi em 2017 quando assisti a um documentário chamado The Magnitsky Act – Behind the Scenes.

Me parece que os ministros da suprema corte, mas também seus conselheiros desconheciam a abrangência e severidade desta lei.

Como executivo alto nível, manter-se atualizado sobre legislação internacional e que pode atingir seu negócio é fundamental para que suas decisões não resultem em um verdadeiro desastre pessoal ou organizacional.

MÁS DECISÕES

O segundo ponto é o que mencionei sobre a moralidade das decisões – e que já me aprofundei em outro texto. Acrescento apenas que é evidente que quando você decide fora das leis, de maneira imoral ou se deixando levar por propósitos inconfessáveis e perversos, cria as condições para ser punido no futuro – e sempre há alguém mais poderoso que você capaz de fazê-lo.

Na empresa podemos estar nos referindo ao CEO, ao Conselho de acionistas ou simplesmente aos seus clientes.

Eu mesmo não compro de certas marcas por apoiarem idéias imorais ou por terem me atendido de maneira tenebrosa no passado.

QUANDO VOCÊ NÃO PODE VENCER

Mas um ponto que gostaria de destacar, em função da escalada da situação entre nosso supremo e o governo americano, é que, ao que parece, nossos juízes acreditam que deve haver uma maneira de ganharem essa disputa.

Não há.

Quer seja pelo fato de que não existe como o país ter uma ação recíproca à Magnitsky, quer seja porque a corte decidiu de maneira perversa no passado – e não com base na lei – abriu a porta para ser punida por alguém mais poderoso.

Quando vemos as decisões que estão sendo tomadas por aqueles que poderiam atender às demandas do governo americano – anistia às vítimas presas e torturadas do 8 de janeiro e interrupção da perseguição ao presidente Bolsonaro – observa-se que não estão conscientes de que ninguém até o momento demoveu Trump de um objetivo geopolítico – nem Putin, nem Xi Jinping.

E neste momento, após declarar que narco traficantes da Venezuela, México e El Salvador são terroristas internacionais, o governo americano deslocou um porta aviões e forças aéreas para o mar do sul do Caribe – lembrando que nenhum país da região é capaz de combater um único porta-aviões dos Estados Unidos – na verdade, mesmo que se unissem, não seriam páreo.

Portanto, este cenário – que ainda está em seus estágios iniciais – sugere que não há a menor possibilidade de não acontecer o que o governo americano deseja.

CONSEQUÊNCIAS EMPRESARIAIS

No campo empresarial – e que está sendo afetado pela irresponsável, perversa e desastrosa conduta de nosso governo em todas suas esferas – também há consequências.

Portanto, temos de ter essa visão delas se essa luta for travada até o fim.

Além dos prejuízos pessoais aos envolvidos, e por mais que o Brasil seja um país fechado ao exterior, já vemos empresas demitirem pela perda do mercado americano.

Como executivo você deve estar atento aos impactos no seu negócio e no mercado financeiro e esperemos que nenhum banco se envolva na tentativa de burlar a lei Magnitsky.

Como aprendizado, um executivo deve sempre medir seu tamanho relativo e de seu negócio e saber com quem está disputando.

O pior que pode acontecer com você não é desistir de uma luta evidentemente perdida com alguém mais poderoso, mas, ao lutar até o fim, prejudicar decisivamente a si mesmo, seu futuro, o de seu negócio e das pessoas que ama.

Nenhum jogador de xadrez continua uma partida que a análise racional mostra não ter como vencer. Ele derruba o rei, cumprimenta o adversário, se recolhe, aprende e prepara-se para a próxima.

Você deveria fazer o mesmo.

Conhecer seu mercado, seus competidores e ter uma atuação na qual você seja respeitado não pelo seu tamanho, mas por sua firmeza, suas decisões moralmente corretas e que geram perenidade no seu negócio é a melhor estratégia que a maioria deveria adotar.

Toda vez que você não leva em conta como seus competidores reagirão aos seus movimentos você estará planejando com lacunas em sua análise.

O mercado é muito parecido com um campo de batalha e você deve escolher qual tipo de guerra irá travar: defensiva – se for uma empresa de grande porte, de flanco – se for média, ou de guerrilha – se for pequena ou individual, e tornar-se sólido nessa estratégia.

Seja como for, sempre tenha cuidado para não transformar sua persistência em obsessão, pois persistir com sabedoria é permanecer no campeonato e não destruir a si mesmo por não aceitar a derrota em uma partida.

Conte comigo para isso e vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

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Um grande abraço e vamos em frente!

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