A LAMENTAÇÃO DE UM EX-BANQUEIRO SUÍÇO

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A LAMENTAÇÃO DE UM EX-BANQUEIRO SUÍÇO

ÁUDIO: O EXECUTIVO

Nesta semana de relevantes notícias que afetaram os mercados internacionais, me lembrei das palavras de um ex-banqueiro suíço que ouvi há cerca de um mês e que me fizeram refletir profundamente sobre as réguas que são dadas aos investidores brasileiros para medir seus resultados.

Sei que esse tema é um tanto árduo para a maioria, mas compreendê-lo é relevante para você ter uma musculatura executiva ágil – mais precisamente no músculo ocular – isto é, para você mudar rapidamente a direção do seu olhar e ver coisas que estão em seu ponto cego.

O ex-banqueiro suíço era desses que carregam nos olhos o peso de seis décadas observando o mundo financeiro e lamentava-se em um podcast com um interlocutor também muito experiente.

O lamento era, com um tom que misturava incredulidade e tristeza, que os suíços – um povo muito bem formado, conhecido pela precisão de seus relógios e pela solidez de seus bancos – não haviam percebido que o franco suíço perdera quase 50% de seu valor em relação ao ouro nos últimos anos.

Ele balançava a cabeça, como quem não acredita no que vê, e concluía: “Se um país de pessoas tão qualificadas não notou que ficou 50% mais pobre, provavelmente nenhum outro povo o fez”.

Fiquei pensando naquelas palavras, e elas me trouxeram até vocês, porque acredito que merecem saber o que está acontecendo – com respeito, clareza e um convite à reflexão.

NO BRASIL, A SITUAÇÃO É AINDA MAIS DRAMÁTICA

Se os suíços, com toda a sua reputação de excelência, estão diante de um franco que perdeu cerca de 46,68% de seu valor em relação ao ouro entre 2023 e 2024, o que dizer de nós, brasileiros?

Aqui, a realidade é ainda mais dura.

No mesmo período, o Real Brasileiro viu seu poder de compra em relação ao ouro despencar impressionantes 66,31%.

Isso significa que, enquanto o ouro – essa âncora milenar de valor – seguia sua escalada, impulsionado por incertezas globais, nosso Real se desvalorizava a uma velocidade alarmante. Não é apenas uma perspectiva, mas um fato que nos convida a olhar com seriedade para o que está diante de nós.

ATÉ ESTA SEMANA, O QUADRO SÓ PIORA

📉 E se ampliarmos a lente para o período de 2022 até hoje, 5 de abril de 2025, a situação se agrava ainda mais.

O franco suíço perdeu cerca de 60% – exatos 58,01% – de seu valor em relação ao ouro nesse intervalo.

Mas, e o Real? Ele registra uma queda de 72,07%. Sim, mais de 70% do poder de compra do Real evaporou quando medido contra o ouro.

É como se estivéssemos em um barco que, enquanto navega, perde pedaços do casco – e nós, ocupados com a rotina – ou com o CDI – nem percebemos as ondas subindo.

Não digo isso para alarmar ou como crítica, mas para sinalizar uma direção que possamos, juntos, olhar e ajustarmos o leme com inteligência e calma.

Ainda neste começo de ano, atendi a um executivo de uma instituição financeira que dizia estar preocupado com seus investimentos porque mantinha uma planilha em reais e outra em dólares. E que pela segunda a performance deles não estava boa.

Disse a ele para fazer uma terceira planilha substituindo o dólar pelo ouro como referência e que lamentava informar-lhe que a situação era bem pior do que ele imaginava.

AS RÉGUAS QUE ESCOLHEMOS

Aqui entra uma reflexão que é essencial: nós escolhemos nossas réguas.

Ou seja, as métricas que usamos para medir riqueza, sucesso ou estabilidade são, em grande parte, subjetivas.

Passamos o dia contando reais e dólares, comparando salários, preços de carros e aluguéis, como se essas moedas fossem o fiel da balança.

Mas e o ouro? Ele fica ali, quieto, quase esquecido, enquanto os bancos centrais o acumulam em silêncio. Estamos tão acostumados a olhar o mundo por essas lentes fiduciárias que perdemos de vista o que realmente importa: o valor relativo entre as coisas.

CINCO CLASSES DE ATIVOS, UMA NOVA PERSPECTIVA

💡Vamos recapitular juntos: temos cinco grandes classes de ativos para conhecer, estudar e investir.

Negócios, com suas empresas e empreendimentos;

Imóveis, com suas fazendas, terras e construções;

Ativos financeiros, como ações, títulos e fundos;

Metais preciosos, encabeçados pelo ouro; e

Criptoativos, essa novidade que ainda intriga tantos de nós – e da qual muitos desdenham.

O que importa, no fim das contas, não é o preço deles em reais ou dólares, mas o valor que cada um tem em relação aos outros.

Um apartamento pode custar mais reais hoje, mas quantas gramas de ouro ele realmente vale? Esse é o cálculo que nos dá a verdadeira dimensão da nossa posição no tabuleiro.

Aliás, internacionalmente, use a referência da onça troy, que é aproximadamente 31,1035 gramas.

O OURO COMO REFERÊNCIA

Se quisermos uma visão mais embasada de como estamos, precisamos refazer nossos cálculos usando o ouro como referência. Por quê?

Porque estamos apenas no começo de um período de grande tribulação – algo que, aliás, alertei no fim do ano passado, pois já notava nuvens escuras se formando no horizonte.

Recordo que chamei a atenção para Warren Buffett e seus mais de U$ 350 bilhões parados – e veja o que está acontecendo com as bolsas.

Os bancos centrais sabem disso: estão comprando ouro em níveis recordes, como quem se prepara para o inverno.

E nós, executivos, empreendedores, pais de família, precisamos fazer o mesmo. Não com pânico, mas com a serenidade de quem escolhe a quem ouvir e o instrumento certo para concentrar-se no painel enquanto a tempestade se aprofunda.

O TIO E A PESCARIA

Às vezes, me sinto como aquele tio que insiste em contar histórias de pescaria no jantar, enquanto todos só querem saber do jogo de futebol e do tiktok.

Mas, brincadeiras à parte, há algo de positivo nisso tudo.

Não é para você parar de ver suas referências – inclusive o CDI 🙄 – mas para conscientemente olhar para a referência mais adequada para o contexto que estamos.

É como em um boeing, onde há inúmeros relógios para você saber se tudo está bem, e o bom piloto sabe o que cada um significa e como articular as diversas informações para virar a proa do avião na direção correta.

Por isso é tão importante ouvirmos as palavras do ex-banqueiro – pois ele já passou por adversidades que nunca vivenciamos – e saiu vivo delas para nos contar.

Em meio à tormenta, ter e olhar para a bússola certa é o que nos permite saber onde estamos, qual direção seguir e reunir a coragem necessária para enfrentá-la.

O MELHOR AINDA ESTÁ POR VIR

🌟 Não preciso dizer o quanto respeito profundamente cada um de vocês – principalmente os que leram até aqui – afinal esse assunto é bem contrário e distante do foco que os especialistas têm.

Sei que o tema é árduo, e a notícia não é das mais leves, mas há um caminho adiante a ser percorrido, principalmente se você se preocupa com o que seus filhos herdarão.

Ao recalcularmos nossa riqueza, nossos planos e nossos sonhos com uma métrica mais sólida, abrimos a porta para decisões mais sábias.

Estamos no limiar de tempos desafiadores, sim, mas também de grandes oportunidades.

Com a bússola bem ajustada, podemos sobreviver à tormenta e emergir mais fortes, sábios e talvez vencedores. Carregaremos o semblante sereno de quem enfrentou tempos duríssimos, os superou e sabe exibi-lo com elegância, humildade e respeito.

Que no futuro você esteja com esse semblante e, é claro, com suas economias preservadas e – por que não? – aumentadas.

Conte comigo para isso e vamos em frente!

Silvio Celestino – Advisor

Sócio-diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

P.S.1. Se você é diretor ou gerente e gostaria de aumentar sua musculatura executiva para ser cada vez mais um executivo classe internacional, entre em contato conosco. Nossos programas de coaching executivo, mentoria, palestras e seminários de liderança estratégica podem contribuir muito com você e os resultados da empresa. Ligue para nós!

P.S.2. Eu sei que, conforme o tempo passa, há outras notícias que chamam nossa atenção. Entretanto, o Sul não pode ser esquecido. Se você deseja contribuir com alguém que conheço e que está ajudando a famílias do Rio Grande do Sul – e que faz missões lá – sugiro o Padre Wagner Alves de Almeida, cujo pix é: 081.304.479-08 (CPF dele).

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