DECISÕES PRONTAS SÃO PERIGOSAS PARA O NEGÓCIO

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DECISÕES PRONTAS SÃO PERIGOSAS PARA O NEGÓCIO

A discussão entre escritório híbrido ou tradicional ainda continua após a determinação de Elon Musk de trazer todo mundo para o escritório da Tesla.

Nesta semana, a Infomoney trouxe uma perspectiva interessante sobre a questão, ao fazer uma análise dos fundos de investimentos em lajes para escritórios – se eles se recuperarão, ou não, em função da volta dos funcionários aos escritórios.

Há um exagero em se querer determinar uma solução pronta que sirva para todas as empresas.

Qualquer pessoa que já trabalhou em uma fábrica entende perfeitamente o porquê do pedido de Musk pois sempre há uma idéia por parte dos funcionários da produção de que os do escritório têm uma vida mansa.

Afinal, imagine alguém que tem de enfrentar o frio, o calor e a covid para não parar a produção, saber que, na empresa em que trabalha, há pessoas que podem se dar ao luxo de escolher ficar em casa ou ir ao escritório.

Não dá para desenvolver espírito de time assim.

Isto por si só já é motivo para todos estarem na planta.

30 MINUTOS SÓ PARA JUNTAR A TROPA

Mas, mesmo no bairro de Vila Madalena, em São Paulo, ouvi um C-level lamentar-se:

– Silvio, um problema que aqui no escritório resolvo em cinco minutos, com as pessoas em home office, demoro trinta só para colocar todo mundo online. Não dá! Além disso, o funcionário ganhou um poder e tanto ao desligar o celular e não responder aos e-mails.

É claro que ele sempre poderá afirmar que estava trabalhando, quando na verdade foi ao supermercado ou levar o cachorrinho para passear, no meio do expediente.

De fato, não é fácil resistir à tentação de resolver problemas particulares estando em casa.

E OS INTELECTUAIS?

Para piorar, tem um setor que não tem a menor razão para voltar ao escritório: o pessoal de TI. Mais especificamente os que trabalham com sistemas. Claro que, os de manutenção e infraestrutura são mais parecidos com os de chão de fábrica: têm de estar no escritório.

Muitos profissionais de TI, entretanto, ao serem chamados para uma oportunidade já avisam de antemão:

– Se não for 100% online, não perca seu tempo em me entrevistar.

Profissionais de finanças e administrativos também estão com grande dificuldade de serem convencidos de que devem voltar. Afinal, seus trabalhos são hoje completamente feitos via sistemas. Minha irmã é gerente de finanças nos Estados Unidos e sua visão é essa também.

Nesta semana, o governo brasileiro viabilizou até mesmo o serviço de reconhecimento de firma ser realizado via internet. Portanto, está difícil mesmo convencer certas áreas de que precisam estar no escritório.

QUAL O MELHOR MODELO?

O conhecimento somente pode advir do exame de idéias contrárias.

Portanto, o melhor modelo para sua empresa é obtido a partir da resposta à seguinte questão:

O que eu devo considerar para adotar a forma de trabalho mais adequada à minha empresa?

Uma empresa de TI, de serviços financeiros ou mesmo de treinamentos terá grande flexibilidade para escolher. Afinal, boa parte de suas entregas pode ser feita online.

O mesmo ocorre com escritórios de contabilidade e jurídicos.

Importante notar, entretanto, que o modelo exclusivamente online tem o seríssimo problema de gerar fissuras na cultura da empresa, no espírito de equipe e na camaradagem.

Afinal, se as empresas já tinham feudos que se formavam e separavam departamentos, hoje o feudo pode acontecer dentro da própria área. Isto acontece quando o profissional foca somente a entrega de sua tarefa e, ao terminá-la, não se interessa em se colocar à disposição para auxiliar seus pares sobrecarregados ou com problemas.

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Além disso, muitas questões, principalmente as de relacionamento, se resolvem no cafezinho, na conversa de corredor e no almoço com outras pessoas.

Existe uma situação grave também a ser endereçada: nada gera mais estresse a uma pessoa saudável do que o confinamento. Por isso vemos tantos burnouts e afastamentos por questões mentais e psicológicas.

Portanto, ficar em home office não tem só pontos positivos.

A JUSTIÇA DO DONO

Por último, mas não menos importante, um empresário coloca não apenas seu dinheiro, mas sua vida na empresa. Por esta razão, ele tem o direito de definir como quer que o negócio opere e isto inclui a presença dos funcionários.

Sei que hoje se fala muito em compartilhamento de decisões e descentralização. Mas, isto também é uma opção que cabe ao dono do negócio.

A crise que se avizinha deixará mais claro a muitos que não é tão simples assim rodar uma empresa à distância.

Apesar dos benefícios do trabalho remoto ou híbrido, cada empresa tem sua peculiaridade.

Por último, não precisamos responder de maneira definitiva a esta questão. O mais oportuno é observar o curto prazo e ver o que é o melhor. Deixar o tempo passar, reavaliar e novamente decidir.

Se você pretende fazer uma viagem de São Paulo a Brasília, à noite, você não tem como iluminar os mil quilômetros da estrada. Mas, mesmo seu farol iluminando somente 25 metros de cada vez, é suficiente para que você tome as decisões corretas.

Por exemplo, no momento em que escrevo, estamos no fim do outono e começo de inverno e tenho observado um aumento dos casos de gripe, então deve-se avaliar a possibilidade de manter a tropa em casa quando possível.

Afinal, se quisermos chegar à primavera, teremos de vencer o inverno primeiro.

Um dia de cada vez e chegaremos lá. Sem tanto estresse ou decisões prontas.

Vamos em frente!

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Silvio Celestino

Sócio-diretor da Alliance Coaching

www.silviocelestino.com.br

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br