COMO PREPARAR O FILHO PARA A CARREIRA?

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COMO PREPARAR O FILHO PARA A CARREIRA?

Nesta semana me perguntaram que orientação daria aos pais para prepararem seus filhos para o mercado de trabalho.

Para isso minha recomendação inicial é ter sempre em mente o maior problema brasileiro e que está representado no gráfico abaixo.

Ele mostra a evolução do nível de inteligência dos indivíduos de cada país, a partir de uma metodologia usada desde 1909. O Brasil entra nesta séria a partir da década de 1930.

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Como você pode ver, por maior que seja a boa vontade de Jakob Pietschnig e Martin Voracek, autores do estudo, em explicar a performance do Brasil, temos de aceitar o fato de que a inteligência do brasileiro está declinando.

Para piorar, nossa cultura incentiva o trabalho em detrimento aos estudos e o resultado é que muitos acreditam que devem primeiro trabalhar, ganhar dinheiro, divertir-se, formar uma família, aposentar-se e, se der tempo, ficar inteligente.

Esta é exatamente a fórmula invertida de solução de problemas. Afinal, primeiro você tem de ficar mais inteligente para depois ser capaz de resolver suas questões.

Faço um parêntesis aqui: a performance dos demais países também é ilusória, pois não é difícil observar que são indivíduos dessas nações e formados em instituições de renome que administram o banco central americano, a Organização Mundial da Saúde, o FMI e outras organizações que gerenciam há décadas, de maneira desastrada e criminosa, as finanças internacionais e a saúde do globo.

Portanto, o primeiro desafio é saber como aumentar a inteligência de seu filho.

Neste sentido, tudo começa com uma alfabetização impecável. Felizmente o trabalho científico conduzido pelo secretário de alfabetização, Carlos Nadalin, é referência no assunto. Conheço o trabalho dele há anos e recomendo que você cobre a escola de seu filho que o use. Você pode conhecê-lo aqui.

Os pais devem ser rigorosos neste desenvolvimento, pois, primeiro a pessoa precisa aprender a ler bem para depois ler para aprender. É uma responsabilidade que somente os pais podem assumir com o amor e dedicação necessários para assegurar bons frutos.

A BOA LEITURA

O próximo passo é a boa leitura.

Em síntese, o jovem deve ser exposto aos livros clássicos para que compreenda o mundo em que está. Deste modo será capaz de entender sua história, as diversas eras que nosso país e o mundo atravessaram e em que ponto estão as grandes questões da humanidade.

A importância de focar os clássicos é porque hoje há uma tradição da mentira tanto quanto da verdade. Sendo assim, ler os livros que a própria humanidade afirma que falam a verdade é a maneira mais segura de estar na tradição correta.

Você encontra uma lista de clássicos no livro: “Como ler livros” de Mortimer Adler

Felizmente, o Brasil possui a maior obra neste sentido. O livro “História da literatura ocidental” de Otto Maria Carpeaux.

É um livro com referências literárias para serem lidas ao longo da vida – e saber que morrerá sem ter lido todos os clássicos ali mencionados.

A importância de ler estes livros é que o jovem pare de ser um homem de seu tempo e passe a ser um homem de todos os tempos. Capaz de compreender de onde viemos e qual o caminho percorrido até chegar aqui.

Quando isto não acontece, o jovem se comporta como um Adão, ou seja, como se fosse o primeiro a chegar ao mundo e que é capaz de compreender e resolver seus problemas por meio de suas próprias idéias.

HORA DE FALAR DE CARREIRA

Quando for o momento, o principal ponto é o jovem reconhecer qual é sua vocação. Vivemos um momento em que somos incentivados a ter um propósito elevado. Eu mesmo falo muito a respeito disso.

Também há um exagero de análises psicológicas e tendências comportamentais que procuram determinar muito precocemente, qual a melhor carreira para o jovem.

Entretanto, existe um fator que é ainda mais dominante: a vocação. Isto é, saber para o que o indivíduo é chamado.

De certo modo, uma das maiores tristezas que pode acontecer a um ser humano é ele ser bem-sucedido em algo que não é sua vocação.

Certa vez, acompanhei o último ano de um CFO em uma grande indústria. Sua história era cheia de questões exemplares de desafios pessoais e profissionais. Entretanto, para minha surpresa, quando lhe sugeri que escrevesse um livro para deixar um legado às futuras gerações, ele me respondeu que jamais faria isso.

O que ele desejava era, ao sair, fechar a porta e nunca mais ter de olhar para trás. Aquilo me pegou de surpresa, mas o fato era que sua vida profissional foi um enorme dissabor, um fardo que carregou por décadas e que não tinha nada a ver com sua vocação.

VOCÊ TEM DE SE SUSTENTAR

Seguir sua vocação não significa ignorar suas responsabilidades com seu sustento e de sua família. Por vezes, seguir sua vocação significa passar um bom tempo fazendo o que não gosta para poder viabilizá-la financeiramente.

Penso que hoje há informação suficiente para que os jovens aprendam o que devem fazer para criar sua riqueza. Para isso, a melhor introdução que conheço está no livro Pai Rico, Pai Pobre, de Robert Kiyosaki.

Conceitos fundamentais do que são ativos, passivos, despesas, o que é riqueza e classes de investimentos estão neste livro de maneira simples e muito prática.

Conheço profissionais que possuem rendas muito altas, mas que estão falidos por não saberem articular estes conceitos.

O QUE CONTA NÃO É O QUE VOCÊ GANHA, MAS O QUE PRESERVA

Mesmo que você saiba ganhar muito dinheiro, se não souber preservá-lo de nada adiantará. Por isso minha recomendação é desde cedo o jovem se interessar por questões realmente sérias e que afetam o mundo, o país, mercados e, é claro, sua carreira e vida.

Olhe as histórias em volta e em sua família. Quantas pessoas você não conhece que sucumbiram na crise do petróleo na década de 1970, ou no plano Collor de 1990, ou na crise das “ponto com” de 2000, na dos emprestadores subprimes de 2008 e agora na da gripe chinesa?

Se um profissional não se interessar em conhecer e dominar o mundo financeiro correrá sério risco de ver seus investimentos derreterem, sua empresa falir ou seu negócio ser pulverizado por grandes crises no sistema financeiro internacional.

Minha recomendação neste sentido é que o jovem leia o livro: “Como investir em metais preciosos” de Michael Maloney.

Apesar do nome, 80% do livro é sobre como funciona o sistema financeiro, suas deficiências, armadilhas e o que você pode fazer para proteger-se das crises. Mais que isso, como transformá-las em oportunidades de investimento.

É claro que minha intenção aqui não é dar uma fórmula de sucesso, isto não existe. Mas, é possível com perseverança e seriedade ter um grau de compreensão cada vez maior a respeito do mundo em que vivemos, qual nossa história, qual a vocação de uma pessoa, o que fazer para ter renda, investir e preservar este investimento.

Esses elementos em um contexto em que se fomente uma moralidade pautada nas virtudes, a saber: fortaleza, prudência, justiça e temperança, pode fazer com que o jovem seja um profissional competente, capaz de traduzir seus sonhos e desejos em ações práticas para realizá-los, com responsabilidade perante sua família e o país.

Este caldo é o melhor que podemos fazer para a felicidade, não apenas do jovem, mas daqueles que o cercam.

É claro que as idéias aqui estão incompletas, mas são as primeiras que me vêem à cabeça quando o assunto é a formação dos jovens.

Voltaremos ao tema.

Vamos em frente!

Silvio Celestino

Sócio-diretor da Alliance Coaching