Um texto do Professor e filósofo Ruel F. Pepa, publicado no ZeroHedge, começa com a seguinte reflexão:
“Imagine um mundo onde verdades desconfortáveis, como fragmentos incômodos da realidade que exigem reflexão, humildade e mudança, não são mais recebidas com curiosidade ou preocupação, mas com ridículo e desdém. Nesse mundo, os portadores da verdade não são acolhidos como catalisadores do progresso, mas alvos como inimigos do status quo.”
De fato, hoje vemos indivíduos que olham para os demais para fazer uma contabilidade do que está sendo dito e aceitam o que a maioria diz como sendo a verdade.
Desconfiam de seus próprios olhos, ouvidos e capacidade de reflexão e se curvam para celebridades, especialistas, cientistas e jornalistas, mesmo que suas afirmações sejam imorais, estapafúrdias, ilógicas e flagrantemente desconexas com a realidade – sem síntese: uma mentira.
NAS EMPRESAS
É evidente que esse comportamento se infiltra nas empresas, e não é incomum vermos pessoas que, temendo represálias ou buscando proteger suas posições, optam pelo silêncio ou pela conformidade, comprometendo a integridade e sufocando o conhecimento da sequência dos acontecimentos que permitiriam a compreensão das causas dos problemas e consequentemente a estruturação fundamentada de soluções.
Esse alerta aos executivos reforça a necessidade de fomentar uma cultura onde a verdade, o conhecimento dos fatos, a definição clara das responsabilidades e a análise com bases sólidas sejam valorizadas, não punidas, para evitar a erosão silenciosa da ética e do desenvolvimento da empresa.
Não é incomum, após eventos negativos, vermos reuniões que concluem que houve uma falha de procedimento – sem especificar quem cometeu essa falha e, pior, a responsabilidade cair no procedimento – que evidentemente não escreveu a si mesmo.
Neste sentido, quer na sociedade, quer nas empresas, acabamos por valorizar indivíduos que se comportam mais como atores, capazes de interpretar com maestria um personagem de credibilidade por infundir certezas, não por serem verdadeiras, mas porque foram embaladas em palavras bem colocadas, emoções fomentadas com cuidado e performances dignas de Oscar.
Em um ambiente assim, o mentiroso leva uma vantagem enorme porque não precisa provar suas palavras – as impressões que elas causam são suficientes para a platéia.
A VERDADE DÁ TRABALHO
Já quem diz a verdade terá o enorme trabalho de registrar fatos, ordená-los, fazer as conexões e articulações e ainda por cima embalar em uma performance de comunicação que convença aos demais – imagine um tímido enfrentando um extrovertido nessa tarefa e reflita sobre sua enorme desvantagem.
E, quando finalmente terminar, o mentiroso já terá criado uma dezena de mentiras.
Por essa razão, é importante voltarmos a valorizar mais o conhecimento profundo do que a análise crítica – tão incentivada atualmente.
A análise crítica está para o conhecimento como o suco gástrico está para digestão.
Se você comer muito, um pouco de suco gástrico fará uma boa digestão e você se sentirá bem.
Se você comer pouco, o excesso de suco gástrico gerará, primeiro uma dor no estômago, depois uma gastrite e você terminará com uma úlcera.
A maioria das pessoas hoje sofre de úlceras porque têm enorme capacidade crítica destituída de conhecimento profundo.
Essa análise crítica é fomentada em nossas escolas e universidades em detrimento do conhecimento – liste quantos livros você leu em sua vida acadêmica e de quantos temas você fez provas e verá a discrepância.
Lembro-me de que minha professora de literatura no segundo grau nos pedia para abrir os deploráveis livros didáticos em uma página que havia dois parágrafos supostamente de um livro de Machado de Assis.
Após lermos os dois parágrafos éramos divididos em grupos e o convite que ela fazia era: “agora vamos debater para termos uma visão crítica sobre Machado de Assis”.
Uma visão crítica sobre um autor dessa estatura baseada em dois parágrafos em um livro didático que sequer sabemos quem escreveu e se é, de fato, de uma obra dele?
Esse simples exercício treina as pessoas a falarem muito e a aprenderem a argumentar mesmo sem conhecimento profundo a respeito de qualquer tema.
EXPERIMENTE COMPARTILHAR A VERDADE
Experimente dizer que há estudos que mostram que o acréscimo do flúor na água retira cerca de 5 pontos de QI das crianças e veja a resposta de seus interlocutores.
Eles não apenas não irão ler esses estudos, mas o criticarão por querer que nossas crianças tenham cáries. E será uma gritaria de especialistas, cientistas, jornalistas etc. Ninguém mencionará a história de quando o flúor começou a ser inserido na água, quais países o fazem e quem se beneficia disso.
Agora, se um estudo como esse é sumariamente descartado pelas pessoas e você é ridicularizado se desejar que outros o conheçam, imagine o que acontece dentro da empresa com os profissionais que estudam profundamente os problemas, mas cujas soluções colocariam em uma luz ruim aqueles que os criaram ou que se beneficiam de sua existência – como o proprietário de uma balsa que evita ferozmente a construção de uma ponte sobre rio.
QUEM SE BENEFICIA DO PROBLEMA?
Histórias assim não faltam: já vi o centro de distribuição de uma grande empresa de alimentos ser construído tendo como critério a proximidade com a casa do diretor de logística.
É claro que podemos optar por continuar nessa marcha de inúmeras verdades, onde você pode escolher aquela que lhe é mais conveniente, prazerosa e causa menos conflitos. Ou voltarmos à realidade de que existe uma verdade objetiva e que é ela – e somente ela, que interessa para a solução de nossos problemas, crescimento sustentável das operações e resultados sólidos e duradouros.
Não preciso lhe dizer que essa é uma tarefa para 12 Hércules.
Enquanto não puder ser lutada em todas as frentes, comece com o seu setor e sua carreira.
Aprofunde-se nos temas, conheça detalhes da operação, quais as melhores práticas, faça benchmarkings e conecte-se com os grandes estudiosos do setor – não se baseie nos que aparecem na mídia que foram selecionados por disponibilidade de tempo, carisma e por falarem o que a mídia deseja. Mas, olhe para aqueles que articularam com maestria conhecimento com contexto e possuem histórico sólido no setor.
Acima de tudo, procure conhecer a história de sua área, sua profissão, do mercado em que atua e, é claro, de sua empresa.
É esse conhecimento profundo que – com a análise crítica na quantidade certa – lhe dará a base para ser um executivo de excelência e com classe internacional.
Conte comigo para isso e vamos em frente!

Silvio Celestino – Advisor
Sócio-diretor da Alliance Coaching
Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes
silvio.celestino@alliancecoaching.com.br
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Um grande abraço e vamos em frente!
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