TIRAR OS OLHOS DA PLANILHA E OLHAR PARA O SER HUMANO

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TIRAR OS OLHOS DA PLANILHA E OLHAR PARA O SER HUMANO

ÁUDIO: O EXECUTIVO

Um profissional de uma siderúrgica finalmente conseguiu sua tão sonhada promoção ao cargo de gerente, aos 50 anos.
A empresa, preocupada com seu desenvolvimento, contratou um processo de coaching executivo para lapidar suas competências de liderança.

Na primeira reunião, perguntei a ele qual seria o resultado mais positivo que poderia imaginar para o processo.
Ele respondeu que gostaria de diminuir as mortes na unidade.

Depois de mais de 20 anos na empresa, entristecia-o pensar que havia perdido muitos amigos em acidentes. Agora, como gerente, acreditava que poderia fazer algo a respeito.
Mas se havia tantas normas e procedimentos de segurança, por que os operadores não as seguiam? Ele não sabia responder.

UMA IDÉIA SIMPLES

 

Tive uma idéia.

Quando trabalhamos com alta performance, há um exercício em que procuramos retirar da mente qualquer pensamento — por menor que seja — que distraia e roube energia em pequenas doses. Poderíamos adaptar o exercício para a questão.

Minha suspeita era que os profissionais estavam distraídos com outros pensamentos justamente nos momentos de risco, e isso os impedia de focar nos procedimentos de segurança.

O exercício era simples: ele deveria conversar individualmente com cada subordinado e pedir que imaginasse entrar em sua própria casa. Se, por exemplo, na sala houvesse uma lâmpada queimada, deveria começar uma lista de distrações com:

  • Trocar lâmpada queimada da sala.
  • Se o controle remoto estivesse sem pilhas, anotar que precisava comprá-las.

A ideia era aumentar gradualmente a complexidade e o custo dos problemas encontrados em cada cômodo, até formar uma lista completa.

Por exemplo: se no caminho para casa houvesse um supermercado, ele poderia comprar as pilhas e a lâmpada e resolver os problemas assim que chegasse.

As questões maiores — como uma reforma ou a compra de um carro novo — seriam resolvidas com o tempo, mas as preocupações sairiam da cabeça e estariam agora anotadas no papel.

A RESPOSTA DO GERENTE

 

A reação do gerente foi imediata:
— Isso é impossível de fazer! Tenho 270 funcionários, não terei tempo para conversar com cada um.

Respondi que deveríamos, então, pensar em uma alternativa.

Na semana seguinte, ele mesmo trouxe a solução: faria o exercício com os funcionários que estavam retornando de licença após acidentes. Assim teria um critério objetivo para escolher com quem conversar e não seriam tantos de uma vez.
Achei excelente.

UMA HISTÓRIA QUE MUDOU TUDO

 

Na reunião seguinte, ele chegou quase em choque e bastante consternado.
Perguntei se estava tudo bem e ele respondeu que não, pois havia descoberto o motivo pelo qual seu funcionário se acidentara.

Ao receber o colaborador, começou o exercício:
— Imagine que você entra em sua sala e há, por exemplo, uma lâmpada queimada…

Imediatamente o funcionário começou a chorar.
O gerente não sabia o que fazer. O homem disse:
— Eu estou desesperado.

Depois de acalmá-lo, ouviu sua história.
A irmã do funcionário tinha três filhos, todos com paralisia cerebral — e ela havia falecido. O marido a abandonara havia anos, e as crianças ficaram sob os cuidados da avó, mãe do funcionário – e do avô.

Mas este último, sobrecarregado, começou a beber e tornou-se alcoólatra.
O funcionário passou então a ajudar os pais a lidar com a situação, o que gerou conflitos com sua própria esposa, que reclamava de sua ausência.

Era, de fato, uma situação desesperadora.
Imagine um homem tendo de lidar com aço a 900 graus, com tudo isso na cabeça.

UMA SOLUÇÃO HUMANA

 

Como resolver um problema desses?
Muitos gestores acreditariam que a solução deveria vir do RH. Mas o gerente pensou diferente.

Ele morava havia décadas na cidade da siderúrgica e, aos 50 anos, tinha boas conexões. Uma delas era o reitor de uma renomada universidade da cidade vizinha. Ligou para ele, expôs a questão e perguntou se haveria estudantes do último ano de medicina ou psicologia dispostos a ajudar a família.

O reitor fez mais: disse que tinha recém-formados em psicologia, fisioterapia e terapia ocupacional, e que todos poderiam atender gratuitamente a família.
E assim foi feito.

Algum tempo depois, o funcionário se tornara o melhor profissional do setor, candidato a todos os cursos de aprimoramento, um modelo de excelência.

O DESPERTAR DO GERENTE

 

E quanto ao gerente?
Estava chocado ao perceber que não conhecia as histórias das pessoas com quem convivia todos os dias.
Passou a fazer reuniões individuais com cada um, sempre que podia.
Prefiro não escrever sobre outras histórias que ele me contou — algumas eram piores.

Com o tempo, os acidentes foram diminuindo, até que a unidade completou 18 meses sem um único acidente com afastamento.
O gerente foi premiado como exemplo de liderança em segurança.

OLHAR ALÉM DAS PLANILHAS

 

Essa história mostra como muitos executivos, absortos por metas e resultados, têm dificuldade de tirar os olhos das planilhas e olhar para o ser humano que sustenta a empresa.

Durante a pandemia, conheci diretores que, ao determinarem a instalação de internet de alta velocidade na casa dos funcionários, descobriram que alguns viviam em favelas controladas pelo tráfico, onde era necessário pagar taxa para não usar a internet dos criminosos.

Recentemente, um CEO me mostrou um slide sobre quais eram considerados os maiores problemas do Brasil, em uma pesquisa de múltipla escolha que lhe era mostrado em uma conferência para altos executivos:

  • Corrupção: 60%
  • Criminalidade e tráfico: 57,3%
  • Extremismo e polarização política: 21,2%
  • Economia e inflação: 19,7%
  • Enfraquecimento da democracia: 16,1%
  • Mau funcionamento da justiça: 15,7%

Mas o que esses números significam para os profissionais que vivem isso todos os dias?
Como é trabalhar e voltar vivo para casa atravessando territórios dominados por criminosos?

DECISÕES SÁBIAS E HUMANAS

 

Na semana passada, um prédio do Bradesco na Faria Lima foi alvejado por tiros disparados por um motoqueiro. Imagine viver sob esse tipo de tensão diariamente.

Lembro de estar em 2002 no aeroporto de Dallas, vigiado por marines armados com fuzis M16 após o 11 de setembro. Em 2007, em Angola, vi seguranças de hotel com AK-47 cromados. Era tenso passar ao lado deles sabendo o motivo de portarem tais armas — mas eram os “good guys”.

Já um trabalhador em uma favela cruza com homens armados iguais àqueles todos os dias, e sabe que nenhum deles presta.

Compreendo as pressões que recaem sobre nós, executivos. Mas os negócios acontecem no mundo real, e o mundo real inclui essas dores. Quanto mais você se interessar por elas, mais sábias serão suas decisões.

E por decisões sábias, entenda: aquelas que consideram as pessoas de bem que trabalham para você, que deixam seus problemas de lado para que a empresa funcione.

O VERDADEIRO PAPEL DO LÍDER

 

É hora de os líderes enxergarem a equação de modo mais amplo: combater o crime e apoiar as forças de segurança também é uma forma de cuidar do ambiente de negócios.

Empresas prosperam quando nossos profissionais têm o direito de viver em paz com suas famílias, em vizinhanças decentes.

As operações das polícias do Rio de Janeiro merecem nosso apoio e respeito.
Se querem união, contem comigo — unido ao lado das pessoas de bem.

Meu profundo respeito aos quatro policiais que perderam suas vidas.

Vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

P.S.1. Se você é diretor ou gerente e gostaria de aumentar sua musculatura executiva para ser cada vez mais um executivo classe internacional, entre em contato conosco. Nossos programas de coaching executivo, mentoria, palestras e seminários de liderança contribuirão muito com você e os resultados da empresa. Ligue para nós!

E, é claro, se você gosta do meu trabalho, deixe um comentário, dê um like e compartilhe. E se inscreva no Canal O EXECUTIVO.

Um grande abraço e vamos em frente!

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