ÁUDIO: O EXECUTIVO
Com o recrudescimento da guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, os mercados financeiros começaram a apresentar sinais como os que alertei a você em semanas anteriores: as taxas de juros dos títulos públicos ao redor do mundo, especialmente o de 10 anos americano, apresentaram crescimento abrupto.
Isso começa a provocar queda em mercados acionários – e outros ativos de maior liquidez começam a ser vendidos para cobrir posições.
Se esse cenário aprofundar, o declínio econômico também será mais acentuado.
Portanto, vivemos um momento que articula dois fatores perigosos: contração econômica e instabilidade geopolítica.
Esse ambiente não destrói apenas resultados. Ele expõe a qualidade da liderança.
E aqui está um ponto pouco discutido:
⚠️ Existe um tipo de liderança que destrói valor sem fazer barulho: a liderança desordenada.
Não é a incompetência clássica.
Não é a omissão.
É algo mais sutil — e, em crise, mais perigoso.
🌊 CRISE NÃO COMBINA COM ZIGUE-ZAGUE
Em tempos de expansão, alguma desorganização passa despercebida.
- o caixa absorve
- o mercado perdoa
- o crescimento mascara
Mas, em contração econômica, crédito seletivo e clientes cautelosos, isso muda.
🚨 Líder que muda prioridade a todo instante deixa de ser confuso — passa a ser perigoso.
Empresa sob pressão não pode ser gerida por ansiedade
Não me entenda mal, todo líder é um ser humano com emoções negativas normais que todos enfrentamos em momentos difíceis: medo, frustração e ansiedade.
Mas, ele deve ser capaz de dominar as emoções,olhar para os números e decidir com razão.
Ansiedade travestida de urgência continua sendo ansiedade, não razão.
🧭 LIDERAR É ORDENAR
O papel do executivo agora não é parecer ativo.
É colocar ordem.
Ordem no sentido clássico — como ensinaria Santo Tomás de Aquino:
ordenar corretamente os meios aos fins.
Na prática:
- 💰 ORDEM NAS VENDAS — onde defender margem, onde acelerar, onde parar
- ⚙️ ORDEM NAS OPERAÇÕES — execução sem improviso crônico
- 📊 ORDEM NAS FINANÇAS — caixa, custo e risco como disciplina permanente
As demais áreas — RH, Jurídico, Marketing — têm um papel claro:
🎯 servir essas três frentes com excelência
Não é hora de feudos. É hora de foco.
🧠 ESTRUTURA NÃO É BUROCRACIA — É CLAREZA
Velocidade sem estrutura vira improviso. Você deve ter foco em criar estruturas claras e que funcionem, inclusive sob pressão e com a velocidade necessária para o porte da empresa.
E isso vale para as reuniões, isto é, as pessoas não podem falar qualquer coisa, de qualquer jeito para qualquer pessoa.
Improviso constante vira desorientação e paralisia.
Reunião executiva não é palco. É instrumento.
Toda reunião produtiva responde, de algum modo, a quatro perguntas:
- 🎯 POR QUÊ — qual a direção? Qual o propósito? Qual o contexto?
- 📌 O QUÊ — qual o objetivo? o que precisa acontecer e quando: data e hora?
- 🔧 COMO — quais alternativas viáveis para que o objetivo seja atingido?
- ⚖️ CRITÉRIO — o contexto no qual nos encontramos tornam evidentes qual critério a ser utilizado para decidir? Qual o foco que teremos para escolher a melhor alternativa?
Sem isso, há discurso.
Com isso, há decisão.
E, é claro que você não precisa ter necessariamente essa estrutura a todo momento, pode criar outras mais enxutas e apropriadas para cada reunião. Isso gera ordem e ritmo.
Empresas maduras entendem que a cadência importa:
- há reunião para tocar o negócio
- há reunião para mudar o negócio
Misturar as duas coisas gera confusão em ambas.
🤝 UM PRINCÍPIO SIMPLES — E RELEVANTE
O ex-CEO da LEGO, Jørgen Vig Knudstorp (YÔR-guen VIG KNUDS-torp), sintetizou:
“Só há dois erros possíveis: não pedir ajuda e não ajudar.”
Em crise, organizações saudáveis aumentam cooperação.
As frágeis aumentam política interna.
⚠️ O PIOR CHEFE EM TEMPOS DIFÍCEIS
Chefe difícil não é só o agressivo, o vaidoso ou o centralizador.
Em crise, o mais destrutivo é o errático:
- pede tudo ao mesmo tempo
- muda a prioridade diariamente
- chama isso de agilidade
E depois culpa o time pelo caos.
Esse tipo de liderança cria:
- equipes cansadas
- ambiente defensivo
- execução lenta
As pessoas passam a trabalhar para se proteger — não para construir. E isso significa estar mais preocupado em “parecer bem” perante o principal líder do que resolver problemas, apresentar alternativas e atingir objetivos estratégicos.
👔 SE A DESORDEM VEM DE CIMA
Aqui está um teste real de maturidade executiva.
Se você não encontra ordem suficiente acima:
❗ não replique a desordem — produza ordem abaixo
- traduza ambiguidade em prioridade
- transforme pressão em sequência
- converta urgência difusa em plano
Isso exige coragem.
E, muitas vezes, exige gerenciar o próprio chefe:
- alinhar entendimento
- pedir critério
- explicitar trade-offs
- trazer a conversa de volta aos fatos
- Esclarecer as consequências na agenda de entregas
A principal função de um líder é formar outros líderes e, em geral, o executivo entende como formar líderes abaixo dele.
Mas, considere que você também deve, dentro de sua capacidade, cultura organizacional e principalmente coragem, ser capaz de orientar o líder acima de você sobre as consequências de suas ações e comunicação.
Não espere ter sucesso nisso, espere ser capaz de mostrar as potenciais consequências do comportamento inadequado do líder na esperança de que ele desperte e se desenvolva – ou busque auxílio para isso.
Este comportamento não é insubordinação.
É maturidade.
✂️ CRISE EXIGE REMOVER PESO
Há uma conversa que muitas empresas evitam.
Mas crise não tolera ilusão.
Existem perfis que deixam de ser viáveis:
- resistentes crônicos
- sabotadores passivos
- desalinhados persistentes
- egos acima da empresa
Em bonança, custam caro.
Em crise, custam o dobro.
💡 Profissional que só funciona em cenário confortável pode não ser ativo — pode ser passivo disfarçado de talento.
Não se trata de cortar indiscriminadamente.
Trata-se de honestidade organizacional e, principalmente, com os colaboradores que realmente se dedicam a contribuir com a empresa nos momentos difíceis, porque se importam com ela e sentem que são responsáveis por sua preservação como fonte de renda de todos.
⚓ LIDERANÇA SOB PRESSÃO
Crises são processos de seleção.
Em águas calmas, quase todos parecem bons.
Em mar revolto, aparecem os executivos que:
- demonstram experiência e maturidade
- mantêm a calma
- decidem com velocidade — sem afobação
- sustentam direção
- mudam quando necessário — não por medo
Esses conduzem empresas a águas mais seguras.
🔥 O TESTE DE UMA GERAÇÃO DE EXECUTIVOS
Talvez este seja o grande teste de uma geração de executivos.
Porque liderança não é intensidade.
Não é volume.
Não é presença constante.
Liderança é ordem sob pressão.
Tempos difíceis não apenas expõem profissionais.
Eles os formam.
Os fracos pedem conforto.
Os vaidosos pedem palco.
Os imaturos pedem aplauso.
Os líderes de classe internacional pedem responsabilidade.
E assumem.
No fim, empresas não quebram apenas por falta de estratégia.
Quebram por falta de ordem.
E você precisa ter ordem nas emoções, nos pensamentos, nas palavras, no comportamento e, acima de tudo, na capacidade de ser a luz conforme a noite avança.
Assim, todos saberão para onde olhar e o que fazer com clareza, discernimento e coragem.
Conte comigo para isso e vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching
Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes
silvio.celestino@alliancecoaching.com.br
P.S.1. Se você é diretor ou gerente e gostaria de aumentar sua musculatura executiva para ser cada vez mais um executivo classe internacional, entre em contato conosco. Nossos programas de coaching executivo, mentoria, palestras e seminários de liderança contribuirão muito com você e os resultados da empresa. Ligue para nós!
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Um grande abraço e vamos em frente!
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