🌐 SE ERROU, CORRIJA E COMPENSE O PREJUÍZO

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🌐 SE ERROU, CORRIJA E COMPENSE O PREJUÍZO

ÁUDIO: O EXECUTIVO

⚠️ TRÊS CONVERSAS, UM MESMO PROBLEMA

Tive três conversas diferentes nesta semana que me fizeram pensar sobre uma mesma causa.

Primeiro, uma executiva me contou sobre o roubo que um CEO, mancomunado com uma VP de RH, aplicou na empresa em que trabalhava. Depois, li um artigo sobre jovens da geração Z que aproveitam o horário de almoço para dormir e chorar porque não suportam trabalhar das 9h às 17h. Finalmente, um CEO me contou que havia identificado um erro na empresa que provocara um prejuízo milionário e que alguns diretores estavam escondendo o fato dele.

Ao longo de 24 anos como coach executivo, percebi que minha expectativa de lidar principalmente com questões estratégicas de alto nível se chocou, muitas vezes, com uma realidade menos sofisticada: o declínio moral que vem se manifestando dentro das empresas e que, em boa medida, reflete aquilo que está acontecendo na sociedade.

🧭 QUANDO O ÓBVIO DEIXA DE SER ÓBVIO

Lembro-me de uma cena da série The Big Bang Theory na qual Sheldon, um físico nerd de altíssimo nível da Caltech, vê o veículo em que ele e os amigos estavam no meio do deserto ser roubado. Ele sai correndo atrás do carro e gritando:

— Roubar é contra a lei!

O mais curioso é que, de fato, hoje rimos daquilo que deveria ser um princípio elementar.

Vou ficar somente com o problema do CEO. Por que estavam escondendo dele um erro de milhões? Um profissional maduro, principalmente um executivo, deveria ser capaz de identificar rapidamente um erro, descobrir onde ele aconteceu, agir para remediá-lo e fazer um plano para recuperar eventuais prejuízos ou reduzir seus custos.

Ao esconder um erro, o profissional demonstra apenas sua imaturidade, seu medo de perder o emprego e sua disposição de preservar uma imagem falsa perante a empresa. Pior ainda, pode acabar culpando outra pessoa, o processo, a quantidade de trabalho ou qualquer outra circunstância que lhe permita escapar da responsabilidade.

🛑 O PROBLEMA NÃO É ERRAR

Por que alguém faria isso?

Lembro-me de que, ao voltar de férias, estava fazendo a avaliação de um executivo candidato à promoção por meio de um método exaustivo e longo, que incluía simulações, entrevistas e apresentações durante mais de seis horas. Ao final, quando iniciamos a fase de debates sobre o candidato, um dos observadores disse que não havia sido possível identificar sua capacidade de autodesenvolvimento.

Foi quando percebi que eu havia esquecido de fazer uma pergunta ao final de uma das etapas.

Imediatamente, levantei a mão e disse:

Mea culpa! Eu deveria ter feito essa pergunta ao fim da segunda etapa. Vamos desconsiderar esse fator e verificar se isso interfere ou não na nota final do candidato.

Descobrimos que não interferiria.

Passados dois anos daquele erro, ainda sou escolhido para fazer esse trabalho.

Qual era o problema de eu assumir o erro? Vergonha? Medo de perder o cliente? Medo de manchar minha imagem?

Nenhum deles.

Eu havia errado. Bastava reconhecer, corrigir o que fosse possível e seguir adiante.

💰 ERROS PODEM CUSTAR CARO

É evidente que não é possível desenvolver-se sem cometer erros. E alguns deles custam um bocado de dinheiro.

Mas o pior erro não é cometer um erro. É não admitir que errou e, principalmente, não querer corrigi-lo ou compensar o prejuízo causado.

Ninguém amadurece tendo seus erros encobertos e seus prejuízos pagos por outras pessoas.

Alguns profissionais parecem acreditar que os investidores já são ricos o suficiente e, portanto, podem absorver tranquilamente um prejuízo de milhões. Entretanto, se lhes for retirado R$ 1,00 do salário ou se o pagamento atrasar um único dia, tornam-se feras da reclamação.

Por que um investidor deveria arcar com o prejuízo causado por alguém que recebe 100% de seu salário pontualmente?

Que justiça há nisso?

👴 UMA LIÇÃO QUE APRENDI EM CASA

Lembro-me de meu avô me explicando o sétimo mandamento: não roubar.

Com paciência, amor e muita seriedade, ele me ensinava que não se tratava apenas de retirar alguma coisa de alguém. Trabalhar menos do que aquilo pelo qual você havia sido contratado e pago também era uma forma de roubo. Da mesma maneira, causar deliberadamente um prejuízo à empresa.

Aquilo era mortalmente relevante para minha formação.

Quem diz isso aos jovens hoje?

E, se disser, será ridicularizado.

Infelizmente, muitos aprenderão essas coisas tarde demais, depois de pagar um preço que poderia ter sido evitado.

🏢 O EXECUTIVO COMO EDUCADOR

Hoje, o executivo acaba assumindo também o papel de compensar problemas na formação moral dos profissionais: falta de maturidade, de disposição para trabalhar e, em alguns casos, de honestidade.

Não que isso não ocorresse no passado. Seguramente ocorria. Mas tenho a impressão, pela experiência de mais de duas décadas trabalhando com executivos, de que precisamos lidar com isso com uma frequência cada vez maior.

Por isso, os líderes precisam repetir constantemente uma lição simples: o profissional pode errar, mas, quando isso acontecer, deve identificar o erro rapidamente, pedir ajuda, corrigir o que for possível e assumir a responsabilidade por eventuais prejuízos.

Isso não significa criar uma cultura de punição, mas de responsabilidade.

O que diferencia um adulto de uma criança é que o primeiro tem a maturidade de assumir as consequências de seus atos.

⚖️ NEM TODO ERRO É IGUAL

Os executivos também precisam deixar claro quais erros são toleráveis, quais podem acontecer três vezes, duas, uma única vez e quais jamais podem acontecer.

Questões de segurança, por exemplo, não podem ser tratadas como qualquer outro erro. Uma única ocorrência grave pode ser suficiente para justificar o desligamento do funcionário.

É melhor sair da empresa demitido do que dentro de um caixão.

O mesmo vale para roubo.

As demais questões exigem uma análise diferente: qual aprendizado o profissional deve adquirir? Qual plano ou processo precisa ser modificado? Que treinamento está faltando? Ou será que determinado projeto simplesmente não deveria mais ser realizado?

O erro pode ser uma fonte extraordinária de aprendizado.

Esconder o erro, não.

✈️ QUANDO O ERRO DEIXA DE SER APRENDIZADO

Uma outra notícia que me vem à cabeça é o encerramento da análise do acidente com o ATR 72 da Voepass e a sequência de erros e comportamentos de risco, indolência, falta de profissionalismo e de responsabilidade diante de vidas humanas que foram identificados no caso.

Há situações em que o erro não produz apenas uma perda financeira ou uma oportunidade desperdiçada. Pode produzir consequências irreversíveis.

É justamente por isso que uma organização madura precisa distinguir um erro cometido tentando fazer o certo de uma negligência, de uma imprudência ou de uma violação consciente de uma regra.

Essa distinção é fundamental para construir uma cultura em que as pessoas tenham coragem de comunicar problemas, sem transformar responsabilidade em impunidade.

👨👩👧👦 A EMPRESA NÃO CONSEGUE CORRIGIR TUDO

Como executivos, não podemos abrir mão do desenvolvimento das pessoas, principalmente dos novos líderes.

Mas também precisamos questionar o que as famílias e os professores, em todos os níveis, estão fazendo com nossas crianças e nossos jovens.

Não podemos esperar que a empresa consiga, sozinha, corrigir anos de formação deficiente. Se o material humano chega à organização sem um mínimo de responsabilidade, disciplina e consciência sobre as consequências de seus atos, conseguiremos compensar muito pouco os erros cometidos anteriormente na sua formação moral e amadurecimento.

Tão importante quanto querer desenvolver uma cultura corporativa saudável é nos debruçarmos sobre a construção de uma cultura saudável na sociedade como um todo.

🏛️ O PAPEL DO EXECUTIVO

Como executivos, podemos fazer parte dessa mudança.

Isso começa por reconhecermos nossas próprias limitações, corrigirmos nossos erros e criarmos ambientes nos quais as pessoas possam admitir problemas antes que eles se transformem em catástrofes.

Também significa apontar para os demais participantes da sociedade e reconhecer que podemos fazer muito melhor juntos. Pais, professores e líderes executivos e empresariais têm responsabilidades diferentes, mas nenhuma deles conseguirá resolver sozinho aquilo que pertence ao conjunto.

Não poderemos jamais compensar integralmente, dentro das empresas, as deficiências acumuladas na formação oferecida pelas famílias e pelos professores.

Isso nos coloca diante de um trabalho para doze Hércules.

E, sinceramente, não vejo motivo para desistir por causa do tamanho da tarefa.

Se conseguirmos formar uma pessoa mais responsável, um líder mais íntegro e uma empresa em que os problemas são enfrentados em vez de escondidos, já estamos construindo alguma coisa melhor.

É assim que mudanças maiores começam: uma pessoa assumindo a responsabilidade pelo que fez, um líder dando o exemplo e uma organização aprendendo a transformar erros em aprendizado.

Vamos fazê-lo!

Conte comigo para isso e vamos em frente!

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Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

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Um grande abraço e vamos em frente!

https://www.youtube.com/watch?v=rJmOsuU52qY&t=3122s

Para conhecer nossas fontes e estar atualizado:

BIBLIOGRAFIA PARA O EXECUTIVO DE CLASSE INTERNACIONAL