QUEM VOCÊ DEIXA PENSAR POR VOCÊ?

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QUEM VOCÊ DEIXA PENSAR POR VOCÊ?

ÁUDIO: O EXECUTIVO

Uma pergunta simples de um amigo me fez pensar em como é difícil o diálogo hoje a respeito de temas fundamentais, mas que muitos não sabem sequer de sua existência.

Ele me perguntou se eu continuava a ir à missa na Igreja de São José.

Imediatamente um turbilhão de pensamentos me veio à cabeça para poder responder de uma maneira compreensível para quem não sabe o que está acontecendo com a Igreja Católica desde meados do Século XVIII.

A resposta direta seria: não, somente assisto à missa non una cum Prevost, tridentina, em acordo com a Bula Quo Primum Tempore do Papa São Pio V.

Mas, em vez disso, primeiro perguntei se ele sabia sobre a situação atual da Igreja Católica?

Se sabia o que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X iria fazer no dia 1° de julho de 2026? Se ao menos alguma vez viu uma foto da sala Paulo VI no Vaticano e a que sua arquitetura remete?

Os executivos não sabem que esses temas estão na raiz mais profunda dos problemas que enfrentam em suas vidas e carreiras de líderes empresariais. Mas, isso não dá para falar aqui.

A MÁGICA DA DISTRAÇÃO

O que é possível falar é que toda essa conversa me levou a pensar sobre quem diz para as pessoas o que existe, o que é relevante, no que elas devem focar sua atenção e o que pensar a respeito?

É evidente que a maioria consegue ter o senso de proporções da relevância do terremoto na Venezuela em relação à Copa do Mundo.

Mas, o fato é que organismos políticos internacionais e empresas procuram a todo custo moldar seu pensamento.

Fiquemos somente com as questões empresariais.

Em textos anteriores, eu mencionava que empresas descobriram uma nova forma de influenciar consumidores. Em vez de investir apenas em publicidade, estariam procurando direcionar as respostas das inteligências artificiais. Para isso, criariam discussões aparentemente espontâneas em fóruns da internet, especialmente naqueles que os modelos de IA costumam consultar.

Não sei se essa prática será realmente eficaz ou se terá vida longa. Mas, após refletir por mais tempo sobre a reportagem, percebo que o aspecto mais relevante não é tecnológico. É humano.

QUEM PENSA POR VOCÊ?

Costumamos imaginar que a liberdade consiste em poder dizer o que pensamos. Talvez ela comece antes disso. A verdadeira liberdade está em decidir quem terá o privilégio, ou melhor dizendo, a autoridade de nos informar e consequentemente, conduzir nosso pensamento – que é uma forma elegante de dizer: a autoridade de pensar por nós.

Essa nunca foi uma questão exclusiva da inteligência artificial.

Durante boa parte da história, confiamos aos sacerdotes, aos filósofos e aos governantes a tarefa de interpretar o mundo. Mais tarde, vieram os jornais, a televisão e os especialistas. Depois, os algoritmos das redes sociais passaram a selecionar aquilo que merecia nossa atenção. Agora, perguntamos a uma máquina qual estratégia adotar, qual fornecedor contratar, qual livro ler ou qual decisão parece mais sensata.

A tecnologia mudou profundamente. A natureza humana, nem tanto.

Pensar sempre foi um exercício exigente. Exige tempo, disciplina, princípios e, sobretudo, humildade. É muito mais confortável aceitar uma conclusão pronta do que enfrentar a incerteza de construir uma.

Talvez por isso exista uma diferença tão grande entre informação e discernimento.

Executivos convivem diariamente com relatórios impecáveis, indicadores sofisticados e apresentações tecnicamente irretocáveis. Ainda assim, empresas fracassam. Não porque lhes faltavam dados, mas porque alguém interpretou os dados de forma equivocada ou deixou de fazer a pergunta que realmente importava.

A inteligência artificial amplia extraordinariamente nossa capacidade de acessar informação. Ela resume livros, compara cenários, organiza conhecimentos e encontra padrões que dificilmente perceberíamos sozinhos. Tudo isso representa um avanço extraordinário.

Principalmente quando solicitamos que ela apresente uma síntese ordenada de todas estas questões para que possamos rapidamente compreender e decidir.

A FRONTEIRA HUMANA

Mas existe uma fronteira que continua pertencendo exclusivamente ao ser humano.

Nenhuma máquina responde pelas consequências de uma decisão estratégica.

Nenhum algoritmo assume a responsabilidade por uma demissão, por uma aquisição bilionária ou por uma mudança de rumo que afetará milhares de pessoas. Quando a reunião termina, quem continua responsável é o executivo.

É justamente por isso que me preocupa uma tendência que está ocorrendo nos bastidores. Não a possibilidade de as máquinas se tornarem inteligentes demais, mas a de nós nos acostumarmos a exercer cada vez menos o nosso próprio julgamento.

Há uma diferença enorme entre consultar uma inteligência artificial e terceirizar para ela a responsabilidade de pensar.

A primeira atitude amplia nossas capacidades. A segunda as atrofia.

Os executivos de classe internacional que conheci ao longo da carreira tinham opiniões muito diferentes entre si. Alguns eram ousados, outros extremamente cautelosos. Alguns decidiam rapidamente; outros preferiam amadurecer cada escolha. Mas todos compartilhavam uma característica: faziam perguntas difíceis. Não aceitavam respostas apenas porque eram elegantes, populares ou pareciam definitivas.

E, acima de tudo, buscavam a verdade com apreço e sabendo da enorme responsabilidade de assumi-la em suas decisões uma vez descoberta.

Talvez essa venha a ser a competência mais rara da próxima década. Não aprender a usar inteligência artificial — isso será esperado de todos. O diferencial estará em preservar aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a capacidade de exercer discernimento.

Há decisões que uma inteligência artificial fará melhor do que qualquer ser humano. E isso é uma excelente notícia.

Mas continuará existindo uma decisão que nenhuma tecnologia poderá tomar.

A decisão de escolher no que acreditar – e nós temos até mesmo o direito de não acreditar na verdade, mesmo sabendo que, ao fim, será ela que prevalecerá. Portanto, tome por sua conta e risco as consequências de não pautar suas escolhas pela verdade.

Porque, no instante em que um executivo entrega o seu julgamento a outra pessoa — ou a uma máquina — ele deixa de exercer a única função que jamais poderá ser delegada.

Pensar continua sendo o trabalho mais relevante de um líder.

Conte comigo para isso e, vamos em frente!

Silvio Celestino – Diretor da Alliance Coaching

Autor do livro: O LÍDER TRANSFORMADOR, como transformar pessoas em líderes

silvio.celestino@alliancecoaching.com.br

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Um grande abraço e vamos em frente!

Para conhecer nossas fontes e estar atualizado:

BIBLIOGRAFIA PARA O EXECUTIVO DE CLASSE INTERNACIONAL