Executivos, autônomos e pequenos empresários são as pessoas mais enganadas do Brasil

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Executivos, autônomos e pequenos empresários são as pessoas mais enganadas do Brasil

Começo a escrever este artigo no dia 25 de abril de 2020, ainda sob as dúvidas a respeito da saída do Sr. Sérgio Moro do Ministério da Justiça – e somente o terminei hoje, 7 de maio de 2020.

Os pequenos empresários, executivos e os autônomos estão entre as pessoas mais enganadas do Brasil. Pela sua natureza e, principalmente, necessidade de dedicarem-se ao trabalho, à família e aos amigos, precisam do apoio da imprensa para rapidamente ouvir o que está acontecendo no país e se um acontecimento importante pode influenciar suas decisões.

Mas, acima de tudo, precisam de paz para que seus negócios fluam.

A mentira pode ser breve, a verdade é filha do tempo

Seguramente se perguntássemos a eles o que acham de ouvir notícias emitidas por ex-guerrilheiros, ex-terroristas, agentes de serviços secretos de nações estrangeiras, comunistas e participantes de sociedades secretas, eles diriam que não confiariam nessas fontes. Entretanto, a gramde imprensa está cheia de pessoas exatamente com essas biografias. (1)

A resposta mais comum a esta revelação é: só pode ser teoria da conspiração. Expressão cunhada pela CIA – serviço secreto americano – para tornar inverossímeis certos eventos de seu interesse – mas que foi apropriada por grupos que articulam seus objetivos também de maneira inacreditável para os incautos. (2)

Um empresário sabe que se não acompanhar o mercado, seus concorrentes e para onde vão seus clientes e fornecedores estará fadado ao fracasso. E sabe também que muitos deles não são honestos e, portanto, deve tomar cuidado para não ser enganado.

Este mesmo cuidado pequenos empresários e autônomos não têm com a imprensa e com a política. Com a primeira, desconhecem quem são as pessoas que a compõe, seus interesses e os planos dos grupos a que pertencem; com a segunda, acreditam que se trata de um assunto menor e que não há ninguém que preste dentro dela. Portanto, desejam apenas uma informação breve – e ser breve é a vantagem da mentira. A verdade é filha do tempo.

Neste contexto, o episódio da saída de Moro do governo é exemplar.

Em primeiro lugar pela atuação da imprensa.

Desde o primeiro dia do governo do presidente Jair Bolsonaro, a imprensa tradicional – Globo, Estadão, Folha, Veja, O Antagonista etc. –  não noticia um único ato correto dele. Todos são ruins e mesmo quando não consegue esconder sua correção, o faz com ressalvas de possíveis consequências negativas futuras.

Devido a este comportamento hostil, o presidente parou de falar com a grande imprensa e, portanto, ela depende de informações internas conseguidas sabe-se lá de que modo.

Algo de diferente aconteceu.

Durante este período de pouco mais de um ano do governo do Presidente Bolsonaro, noticiou uma dezena de vezes a saída de Moro. Todas erradas!

Entretanto, algo de diferente ocorreu desta vez: ao noticiar que Moro sairia, veículos como “O Antagonista” e “Folha de São Paulo” bateram o pé de que ele, de fato, estava de saída. Entretanto, na quinta-feira, dia 23, a assessoria do próprio ministério da justiça negou o fato. Curiosamente, estes e outros veículos insistiram com uma confiança incompatível com os fracassos anteriores.

Pela manhã de sexta, dia 24, o presidente Bolsonaro, na saída do palácio do planalto, disse à imprensa que: “vocês erraram tudo no dia de ontem”.

Mas, às 11h do mesmo dia, Moro confirmou sua saída e ainda fez acusações de supostos crimes a serem cometidos pelo presidente.

Para um ex-juíz, acusar alguém por um crime que não cometeu é um ato no mínimo singular.

Qual a reação da imprensa a isto? Se autoelogiar!

A Folha de São Paulo e O Antagonista fizeram postagens dizendo que “isto era jornalismo”.

Que tipo de gente falha dez vezes e celebra um único acerto sobre o tema ao longo de um ano?

Provavelmente aquela que, tendo sua reputação destruída, tenta desesperadamente voltar a ser considerada uma fonte confiável. Será este desejo para bem informar? Mas, se assim o fosse, os jornalistas que erraram tantas vezes não deveriam ter sido demitidos por incompetência, como ocorre em qualquer empresa séria?

Bem, talvez a função da grande imprensa não seja informar, mas de propaganda: repetir mensagens de maneira coordenada para induzir você ao erro.

Moro errou na sua saída: pela forma e pelo conteúdo.

Se alguém deseja ser um líder deve primeiro aprender a nunca abandonar seu líder.

No mercado privado, nenhum empresário considera de bom tom um executivo seu demitir-se sem falar com ele primeiro, inclusive porque seria considerado um mau exemplo de caráter.

Como uma mentira é criada?

Com relação ao conteúdo de seu discurso, penso que é importante relembrarmos algumas maneiras pelas quais uma mentira é criada: por troca, supressão ou inserção de uma informação, ou, ainda, pelo exagero ou minimização de outras. E sob este ponto de vista, analisar o discurso de Moro não apresenta um bom prognóstico.

Fiz uma análise longa e cansativa a respeito. Se desejar lê-la, está ao final. Mas, repetindo, a mentira tem a vantagem de poder ser curta, a verdade, não.

Numa fala recheada de merecidos autoelogios por sua biografia, especialmente na Lava-Jato, mas também por sua defesa de “fazer a coisa certa” e de “escolhas técnicas”, vou destacar somente este trecho que está ao final de seu discurso de demissão:

Ele diz que “a interferência política pode levar a relações impróprias entre o diretor geral, entre os superintendentes com o presidente da república” e que “é algo que não pode concordar” – Pergunto eu: se ele confia tanto assim nos quadros técnicos da PF e que fariam a “coisa certa”, então porque o receio?

Querer levar a população a crer que essas interferências nunca ocorreram no passado é um insulto ao povo mais roubado do planeta, que é o povo brasileiro. Nós sabemos muito bem quem nos roubou e como o fizeram, na verdade lamentamos que as leis, a justiça e as polícias sejam tão lentas para detectar e atuar nisso – e sim, sabemos que muitos políticos, juízes, promotores, funcionários públicos e policiais estão envolvidos – a lentidão não é por acaso.

Além disso, que motivo ele vê no presidente Bolsonaro para afirmar que isto ocorreria? Quase 30 anos no Congresso e nenhuma acusação de corrupção, por que ele começaria a se corromper agora?

Em 15 meses de governo não houve nenhuma denúncia de corrupção no governo federal. Portanto, já que Moro é tão preocupado com biografia, por que esta ofensa à biografia de Bolsonaro? Ele passaria a ser corrupto a partir de agora, (e só de agora) em diante após sua saída?

E termina de maneira muito política dizendo que: “está à disposição do país”.

Sempre respeitando o mandamento de “fazer a coisa certa’.

Mas, certa para quem?

Em seu discurso esta frase aparece algumas vezes, mas a palavra verdade não aparece. Será que é somente a palavra que está ausente?

A resposta de Bolsonaro foi contundente. Em síntese diz que deseja restabelecer a verdade.

Disse que pela manhã teve um café com deputados e avisou: hoje vocês conhecerão aquela pessoa que tem um compromisso consigo próprio.

Elogiou Moro e o ponto mais importante de seu discurso foi: “Ele (Bolsonaro) não tem (apenas) uma biografia a zelar, mas um Brasil a zelar”.

Refutou as palavras de Moro e demonstrou que seus atos estão em sintonia com a lei. Falou de suas cobranças a Moro: especialmente descobrir sobre quem está por trás da tentativa de assassinato à sua pessoa e de Moro manifestar-se contra as prisões inconstitucionais de homens e mulheres em praias e praças, entre outras coisas.

Já é 2 de maio e ainda não terminei de escrever

Eu continuaria esta explicação, mas, como autônomo, não tenho tanto tempo assim e já é sábado, dia 2/5/2020, ou seja, mais de uma semana se passou desde o pedido de demissão de Moro.

Entretanto, apesar da legislação dizer que Moro teria 60 dias para ser ouvido no processo que foi aberto para esclarecer suas acusações a Bolsonaro, Celso de Mello, ministro do STF, decidiu que ele teria de ser ouvido hoje. Ou seja, ainda estou tentando descobrir a verdade do que aconteceu e os eventos já estão se sucedendo.

Como nós, autônomos, executivos e pequenos empresários podemos acompanhar isso tudo e ainda trabalhar? Precisaríamos da capacidade e força de 12 Hércules.

Inundados com informações e sedentos

O que acaba por nos acontecer é que somos simultaneamente: inundados com informações repetidas e sem fim a respeito de um mesmo assunto e nos são ocultados fatos, detalhes, contextos, elementos e análises que poderiam mostrar a nós a verdade. Estamos sedentos da verdade.

A repetição de uma mesma informação se parece mais com uma propaganda do que com a verdade – quantas vezes você precisa ser lembrado que 2+2=4?

Como consequência, a maioria dos executivos, autônomos e pequenos empresários se valem de sínteses imprecisas a respeito da realidade. Por exemplo:

Alguns afirmam que políticos são todos iguais: mas, se o fossem, por que Bolsonaro está sendo tão atacado? Seus iguais não gostam dele?

Outros dizem que é melhor destituir Bolsonaro e deixar o Mourão governar, assim teremos paz para os nossos negócios e vida. Mas aí você desobedeceria a democracia e ignoraria a verdade, pois Bolsonaro foi eleito com 57 milhões de votos. Qual o problema de aguardarmos a próxima eleição? Qual crime Bolsonaro cometeu? Além disso, penso eu, por que em um país majoritariamente católico podemos ter nos últimos 30 anos presidentes ateus, comunistas e participantes de sociedades secretas, mas um católico, não?

Conclusão… ou ainda não?

Desejarmos paz para o nosso negócio é a nossa força e a nossa fraqueza.

É a nossa força porque nos permite lutar pela vida que desejamos, cuidar de nossas famílias, ver nossos amigos e usufruir de nossos hobbies.

É nossa fraqueza, porque somente poderíamos nos dedicar a isso se tivéssemos a garantia de que todos estão fazendo o mesmo. Mas, o fato é que, no mundo há pessoas que acordam e vão dormir e só pensam em uma única coisa: como ter poder.

Portanto, além do que mencionei que nós, executivos e empresários, desejamos, temos também de dedicar um tempo para compreender questões extraordinariamente complexas: geopolítica, sistema financeiro internacional, globalismo, organizações secretas entre outros temas que influenciam a realidade e o contexto no qual nos encontramos.

Devido à essa complexidade, não podemos depender da grande imprensa.

Uma imprensa refém

Quando a grande imprensa é cooptada por uma idéia, ou por uma das forças mencionadas anteriormente e disfarça isso por meio de jornalistas simpáticos, carismáticos e que nos proporcionam entretenimento, somos facilmente enganados e não nos damos conta.

E é exatamente isto que está ocorrendo e não é de hoje.

Temos uma grande imprensa, cooptada por jornalistas com ideias globalistas e comunistas, que perdeu a capacidade de relatar informações verdadeiras e que possam ser úteis às decisões de empresários, autônomos e executivos. (4)

Só para ficarmos nos últimos grandes erros da imprensa: disse que não ocorreria o Brexit, que Trump e Bolsonaro não seriam eleitos. Saliento também que não relatou que a crise no mercado financeiro na qual nos encontramos não começou com o vírus, mas em setembro de 2019 – o vírus foi apenas seu catalisador e a desculpa perfeita para encobrir os verdadeiros responsáveis. (5)

Fim do artigo, dia 7 de maio de 2020.

Conforme os eventos foram se sucedendo, ficou impossível terminar o artigo com as mesmas intenções do início.  Se a saída de Moro era relevante no começo, após fazer um pífio depoimento à Polícia Federal e dizer que não acusou o presidente de crime, sua saída tornou-se irrelevante – exceto para iniciar sua provável carreira política. Não vou analisar suas palavras porque há jornalistas independentes que fizeram um trabalho excepcional neste sentido (6).

Mas, este episódio, entre tantos que nos inundam ultimamente, mostra como é difícil desvendarmos a verdade e que, como pessoas preocupadas com nossos negócios, famílias, amigos e hobbies, ficamos facilmente desorientados.

Em nossas agendas, portanto, se não abrirmos espaço para aprendermos continuamente sobre as questões políticas, geopolíticas, financeiras e econômicas que nos cercam, seremos sempre peões iludidos no xadrez nacional e internacional.

E nossos movimentos levarão à derrota, não apenas nossas e de nossos familiares, mas também do país.

Portanto, o único caminho que nos resta é: aprendermos continuamente, lutarmos pela verdade e sairmos vencedores.

Vamos em frente!

 

(1) Dados sobre a biografia de alguns jornalistas:

https://bit.ly/3bA4lDH – Miriam Leitão

https://bit.ly/3cPdl8i – Franklin Martins

https://bit.ly/3aFeOfQ – Ancelmo Gois

(2) https://www.paulcraigroberts.org/2016/08/24/the-term-conspiracy-theory-was-invented-by-the-cia-in-order-to-prevent-disbelief-of-official-government-stories/

(3) Primeira matéria dando conta de um grave problema no sistema financeiro internacional: https://www.zerohedge.com/markets/something-just-snapped-chaos-hits-repo-market-dollar-funding-storm-makes-thunderous

(4) Sobre globalismo, sugiro que assista a este excelente seminário: https://www.youtube.com/watch?v=pPzwpAK-llA&list=PLY4MsNDouGfhRRY7KC0KH5ehzs-b_94vf

(5) Toda vez que as vendas de caminhões pesados nos Estados Unidos ultrapassam 500 mil por mês, chegam a um topo e caem abaixo deste valor, há uma severa crise econômica na sequência. Este processo aconteceu entre setembro e novembro do ano passado: https://fred.stlouisfed.org/series/HTRUCKSSAAR
E este é somente um dos indicadores e é um exemplo de como a mídia não lhe traz informações necessárias para a tomada de decisão. Quanto dinheiro de investidores nas bolsas, por exemplo, não teria sido salvo se a imprensa os tivesse alertados para sacá-lo entre outubro de 2019 e fevereiro deste ano?

(6) Análise de Kim Paim do depoimento do Moro: https://youtu.be/MHFtLahtJbc

***

 

 

Esta análise abaixo eu fiz somente para mim e coloquei aqui somente para mostrar como é difícil e demorado refletir sobre um simples fato: o depoimento de Moro. São anotações que pensei que se tornariam o artigo principal, mas serviram somente para breves passagens do texto acima:

No início de seu discurso, curiosamente, Moro não cumprimenta as autoridades presentes, o que seria um protocolo conhecido por qualquer orador, ainda mais um ex-juíz, mas o faz como uma ressalva à saudação aos jornalistas.

Fala sobre sua trajetória da Lava-Jata no combate da corrupção e da importância da autonomia da polícia federal – estado de direito “rule of law” etc.

Fala do convite do presidente ao final de 2018 para ser ministro e disse que ele teria um compromisso no “combate à corrupção, o crime organizado e a violência”, e que teria sido lhe dado “carta branca” para escolher seus assessores, inclusive polícia rodoviária federal e a própria polícia federal. Aqui ele omite que o presidente disse que daria autonomia para escolha, mas que ele, presidente, teria o poder de veto.

Ele diz que não houve um acordo prévio para que ele assumisse uma vaga no STF.

Revela um segredo: pediu, uma vez que perderia a previdência que acumulara na justiça, que sua família não ficaria desamparada se eventualmente algo lhe acontecesse.

Se auto vangloria de que sua presença no governo seria um dos garantidores da lei e da imparcialidade e autonomia dessas instituições – PF etc. Omite que o homem é um animal político e, portanto, não há imparcialidade de quem quer que seja, pela própria natureza.

Fala da proximidade com as polícias estaduais e municipais, combatendo a criminalidade organizada, mas omite que não combateu as prisões arbitrárias de pessoas que não cometeram crime algum e as ações inconstitucionais de governadores e prefeitos e a atuação deletéria do STF.

Fala do lema que quis propagar a seus funcionários “faça a coisa certa, sempre” – e arque com as consequências. Uma frase de efeito, mas que carece de explicação: certa para quem?

Afirma do apoio do presidente para seus projetos – omite que, quando foi atacado pelo site de esquerda “The Intercept”, que divulgou supostas mensagens de texto de sua autoria e que colocariam sua atuação pregressa em dúvida, o presidente apoiou defendendo o seu caráter e a sua trajetória – não foi apenas, portanto, um apoio restrito aos seus projetos, mas à sua pessoa. Isso não é pouco. Se você é executivo, sabe o que é ser defendido pelo dono da empresa em uma questão de cunho particular e que põe em dúvida seu caráter.

Afirma que não indica superintendentes da polícia federal – de fato, somente o presidente pode fazê-lo por lei.

Insiste que as escolhas são técnicas.  E diz que cargos técnicos não podem ser preenchidos por escolhas políticas.

Diz que o presidente insistiu com a troca do diretor geral da polícia federal e que ele, Moro, não teria nenhum problema com isso, mas que o presidente deveria dar uma causa  relacionada a “insuficiência de desempenho, um erro grave”, omite que o presidente lhe deu um conjunto de motivos.

Segundo ele Maurício Valeixo, diretor da polícia federal em questão, tem tido um desempenho satisfatório.

Segundo ele esta troca era uma violação da promessa feita inicialmente – a de que ele teria uma carta branca – novamente omite que a promessa completa incluía que o presidente teria o poder de veto.

Em segundo lugar que não haveria uma causa para esta substituição – no discurso do Bolsonaro, vemos que há mais de uma.

E afirma que haveria, por isso, uma interferência política na credibilidade do governo. Disse que a credibilidade seria na lei, na rule of law e que ocorreria  uma desorganização na polícia federal. Omitiu aqui a relação de causa e efeito – por que a substituição do diretor geral causaria tudo isso?

Segundo ele já havia ocorrido no passado – a troca por motivos políticos – e que o diretor ficou só três meses. Quem? Quando? Qual o contexto? O que aconteceu?

Segundo ele o presidente queria trocar, além do diretor geral, também superintendentes, menciona o do RJ, outros viriam em seguida, o de Pernambuco – sem que fosse apresentada a causa para isso.

Omitiu que esta é uma prerrogativa do presidente.

Segundo ele seria um grande equívoco realizar esta substituição – pelos motivos acima.

Disse que conversou com presidente e que diria que isso seria uma interferência política e que, segundo ele, o presidente disse isso mesmo.

Disse que, devido à pandemia, aceitaria, mas que gostaria que fosse um quadro técnico – omite que a lei não permite que seja diferente – tem de ser alguém da própria polícia federal.

Sugeriu um nome da própria PF – Disney Rossette. Alguém de carreira e de confiança – resta saber para quem?

E disse que essas decisões não são pessoais – pergunto: qual decisão não é pessoal? Não é ele que deseja decidir por suas questões pessoais: técnicas e de carreira?

Segundo ele, não teve resposta. Disse que o presidente tem preferências próprias: o que é óbvio, já que ele é o presidente e, portanto, deve escolher por suas preferências próprias.

Disse que o presidente tem preferência por um nome que passou mais tempo no congresso do que na ativa da PF – acho que não percebeu a ofensa que fez ao próprio presidente.

Segundo ele o problema maior não é o nome, mas por que trocar? Vemos que o presidente responderá isso em seu discurso.

Afirma que isso seria uma interferência política no âmbito da polícia federal – novamente, o homem é um animal político.

Disse que o presidente queria alguém do contato pessoal dele para ligar, colher informações e colher relatórios de inteligência – ele disse que não é papel da PF fazer isso para que as investigações fossem feitas de maneira isenta. Entretanto, quem disse que o presidente queria interferir em investigação, mas ser informado sobre questões de Estado? Não é assim em outros países? O presidente americano tem briefings diário com seus serviços de inteligência e polícia federal (*). Causa-me espanto saber que o nosso presidente não tem esses briefings.

(*) https://en.wikipedia.org/wiki/President%27s_Daily_Brief

Segundo ele a autonomia da polícia federal e a aplicação da lei a quem for é um valor fundamental a ser preservado.

Segundo ele, se a corporação da PF não poderá dizer a um diretor-geral escolhido pelo presidente, ele coloca dúvida se ela poderá fazê-lo com outros temas – omite que a escolha por lei é do presidente e que deve ser de um profissional de carreira da PF. E ainda põe em dúvida o caráter de seus membro – curioso para alguém que infundiu o lema: “faça a coisa certa” e arque com as consequências. Novamente me pergunto: certa para quem?

Moro na sequência diz que não é totalmente verdadeiro que Maurício Valeixo deseja sair da diretoria geral da PF, já que é o ápice da carreira. Mas, logo em seguida dá a explicação contraditória – depois de tanta pressão, Valeixo lhe teria dito que acha que era melhor sair. Como, diga-se de passagem, ocorrem em qualquer empresa: se o presidente de uma empresa deseja a saída de um subordinado e seu VP ou diretores não o querem, pode fazê-lo diretamente, ou desgastá-lo. Bem-vindo à vida adulta.

Segundo ele não seria voluntário, mas em decorrência dessa pressão. Os fatos atestam o contrário.

O presidente também disse que tinha preocupação com inquéritos em curso na STF e que a troca seria oportuna. Segundo ele não é uma razão que justifique, ao contrário, mas que gera grande preocupação. Moro omite aqui algo fundamental para o entendimento: quais inquéritos preocupam o presidente? Dá a entender que são inquéritos que podem causar danos ao presidente – como se o presidente tivesse cometido algum crime, ou alguém de seu interesse. Aqui considero a questão mais relevante: se Moro sabe de algum crime que o presidente cometeu deveria ter, inclusive para quem diz que “faz a coisa certa” dito ao que se refere. Criar suspeitas é uma maneira terrível e diabólica de conduzir o pensamento de pessoas que desejam saber a verdade.

Segundo ele, buscou alternativas, devido à pandemia – como se o país devesse ficar parado por causa dela.

Diz que soube da exoneração pelo diário oficial e que não assinou o decreto. Omite que não é ele, mas o presidente que tem essa prerrogativa.

Segundo ele, em nenhum momento o diretor da polícia federal apresentou um motivo formal para a exoneração, para, sem seguida afirmar que o diretor o comunicou ontem à noite recebeu uma ligação e que seria uma exoneração a pedido e se ele concordava – e que o diretor respondeu que “o que ele podia fazer?”.

Afirmou que isto não é verdadeiro.

Disse que isto era uma sinalização de que o presidente o queria fora do cargo. Omite que Carla Zambelli – deputada federal e sua afilhada de casamento – sim, ele reclama de interferências políticas mas é padrinho de uma política – se esforçava para que se realizasse um jantar entre ele e o presidente para que ele se mantivesse no cargo.

Disse que recebeu apoio do presidente em ocasiões importantes – minimiza essas questões, sendo que eram ataques pessoais do Intercept à sua honra.

E que retribuiu – falou como se dar apoio fossem questões menores.

Diz que sua biografia como Juiz era uma questão envolvida já que a lei, a impessoalidade com as coisas do governo. Omite que agora está em um cargo executivo e que, portanto, a esses seus critérios há que acrescentar a política – ou ele não vê que o povo brasileiro votou especificamente em Jair Bolsonaro e não em Moro?

Disse que não se sentia confortável e que tinha de preservar o compromisso de que seriam firmes no combate à corrupção, crime organizado e violência, e que o pressuposto para isto é que garantissem o respeito à lei e autonomia da PF contra a interferência políticas. Em seguida se contradiz, dizendo que, é certo que o presidente indica – na verdade, mais que isso, a lei, que Moro tanto preza, diz que o presidente escolhe o diretor da PF.

Novamente diz que o presidente o havia garantido que a escolha seria técnica e que ele, Moro, faria esta escolha – novamente omite que o presidente teria o poder de veto. Omite também que fazer uma escolha técnica é uma forma de política – ou seja, de defender interesses de grupos.

Aqui ele diz que a interferência política pode levar a relações impróprias entre o diretor geral, entre os superintendentes com o presidente da república é algo que não pode concordar – de novo, se ele confia tanto assim nos quadros técnicos da PF e que fariam a “coisa certa”, então porque o receio? Querer levar a população a crer que estas interferências nunca ocorreram no passado é um insulto ao povo mais roubado do planeta, que é o povo brasileiro. Nós sabemos muito bem quem nos roubou e como fizeram, na verdade lamentamos que as leis, a justiça e as polícias sejam tão lentas para detectar e atuar nisso. Além disso, que motivo ele vê no presidente Bolsonaro para afirmar que isto ocorreria? Quase 30 anos no Congresso e nenhuma acusação de corrupção, por que ele começaria a se corromper agora? Em 15 meses de governo não houve nenhuma denúncia de corrupção no governo federal. Portanto, já que Moro é tão preocupado com biografia, porque esta ofensa à biografia de Bolsonaro – ele passaria a ser corrupto a partir de agora, e só de agora?

Agradece com desdém o convite do presidente para o cargo – o mesmo desdém que demostrou em não ter se demitido primeiro ao presidente.

Novamente requer uma escolha técnica – omite que escolher alguém por este critério é uma decisão política, ou seja, que favorece a interesses. Ou ele acha que a lei que assim o permite não foi escrita por políticos?

E termina de maneira muito política dizendo que: “está a disposição ao país”.

Sempre respeitando o mandamento de fazer a coisa certa sempre.

Repito: certa para quem?